LUIZ GERALDO MAZZA
Populismo com glamour
Por que há tanto mistério em planilhas como a do transporte coletivo urbano de Curitiba? Simples: há componentes irreveláveis como o da partilha de 15 mil cestas básicas a motoristas e cobradores ao custo unitário de R$ 77, quando empresas do ramo sugerem que, na verdade, não passaria de R$ 50 e que o ''plus'' poderia irrigar outros setores como se poderia dar, por exemplo, com os contratos decorrentes da operação multadora-educativa dos radares eletrônicos.
Essa ''cultura'' antiga, limo de uma relação pactual de meio século, foi se assentando no decorrer do tempo e vai além da irracionalidade produzida por uma suposta acomodação de interesses na hora do contrato coletivo de trabalho, muitas vezes precedido de encenação grevista que faz o jogo do patronato. É por essas e outras que uma simples ameaça de licitação, como faz o prefeito Beto Richa, imobiliza as concessionárias, tão reféns quando a municipalidade de um sistema viciado e do qual a vítima é sempre o usuário.
A revelação ontem, pela televisão, das péssimas condições do sistema em diversas linhas mostra que a ''ideologia'', o imaginário, de que temos o melhor serviço de todo o país, de tão repetida, como prelecionava Goebels, anula o grito angustiado dos que sofrem no corpo as agruras dos ônibus e estações-tubo superlotados e que nem imaginam quantos ralos impedem a baixa das tarifas e, bem mais do que isso, a melhora efetiva do transporte como serviço público essencial.
Cavalo de batalha política, o sistema, ora pressionado, ora pressionando, mostra que aí também não temos uma relação republicana.
Na fila
Terça-feira, 15h30, fila no Mercadorama da Praça Ouvidor Pardinho, é furada com toda solenidade por um vereador da Comissão Executiva da Câmara pelas artes e gentilezas de um gerente prestimoso.
Luz
No Paraná só há luz no fim do túnel nas prisões, como na de Sarandi por onde, como sempre acontece, os presos fugiram.
Nomenclatura
Como devemos chamar os ''valeriodutos'' regionais como os possivelmente aqui existentes? Dá pra fazer um concurso.
Pedradas
Pedro Lauro Domaradski, ex-deputado federal, mas que nunca realizou o sonho de ser vereador, voltou à cena e está defendendo cassinos no Brasil para dar empregos. Forma sutil de opor-se a Requião que fez do Paraná uma ilha contra bingos e transgênicos.
Folclore
Pedro Lauro teve a ousadia de colocar um urinol coloridíssimo no horário nobre da TV Paranaense num programa eleitoral quando fazia a sua pregação habitual em defesa de mitórios públicos. Para não poluir a cidade, fazia suas grafitagens eleitorais com giz e costumava colocá-las no meio fio. Quando algum metido a marqueteiro lhe perguntava por que aquele alvo, respondia que o eleitor brasileiro andava tão cabisbaixo que a leitura era apropriada e bem no horizonte de sua vista.
Bronca
A capa da revista ''Idéias'' traz uma foto de Osmar Dias com um ar de pensador e o título ''No mato sem Osmar Dias''. Não houve e nem há ainda qualquer gesto de desistência do senador, embora a pressão dos que não enxergam que a campanha eleitoral só começa depois das convenções. Por sinal que o candidato do PT, senador Flávio Arns, também sofre de flebite.
Crê ou morre
O cerco nos adesistas do governo foi total para derrubar a lei do nepotismo. No PMDB o aviso era fatal: votou contra Requião fica sem legenda. Stalinismo da mais caricata extração.





