LUIZ GERALDO MAZZA
Quase um Big Brother
Faltou apenas a tevê da Assembléia funcionando ontem para que o público pudesse ver como operam as instituições e esses que se dizem os nossos representantes. Seria um Big Brother com paredão sistemático, já que duas matérias polêmicas dividiam o plenário e as claques: o salário mínimo regional (bônus para os populistas e ônus para as empresas) e essa novela do nepotismo, cacoete cultural de um país não republicano.
Petrobras
A Petrobras é reincidente em acidentes ecológicos: já poluiu a baía da Guanabara, o Rio Iguaçu e agora novamente um dos efluentes da Usina do Xisto, em São Mateus do Sul. E ainda afunda plataforma no oceano. Assim mesmo bota banca de infalível. Como borrou a baía de Paranaguá e a de Babitonga (a de São Francisco do Sul) com a ruptura de dutos. O Sugismundo também é nosso.
Analogia
O livro ''A corte do czar vermelho'', de Montfiori, sobre Stalin, lembra, e muito, em seus aspectos de servidão e terror, bajulação explícita e ignorância solene, dissimulada em sabedoria, cenários bem próximos aos que vivemos.
Carão
Requião estava mais calmo na escolinha, o que não o impediu de referir-se de forma desairosa aos arquitetos que obtiveram menção honrosa, no projeto do complexo do Judiciário, dizendo que equivalia à vitória moral no futebol. O secretário Luis Caron, de Obras, teve ombridade para lembrar a dignidade do esforço dos participantes e botar filtro na grosseria. Um quase carão.
Mínimo
Cada hora é um setor que descobre o óbvio: o mínimo regional (propagado até em outdoors para pressionar os resistentes) gera desemprego e informalidade. A Fetranspar, a Federação dos Transportes, já avaliou o impacto. Para irritar poderia dizer que é um pedágio supervitaminado como ônus à economia.
Folclore
Em Paranaguá a baixa estima pela má gestão do Porto, glória da cidade, é de tal ordem que as piadas se referem a uma possível perda de eficiência até com Antonina: agora só falta levar a pior para o terminal da Ponta do Félix e o do Matarazzo, obra-prima às avessas. Se há algo que irrita um parnanguara é a idéia de ficar abaixo de Antonina. Tanto que quando Paranaguá teve o seu primeiro arranha-céu, de Sílvio Drummonmd, que ficou anos em obras, o pessoal dizia que iria fazer sombra nos capelistas.
Filhos
O PT se esbaldava denunciando trutas do filho de FHC. À cada dia aparece um dos filhos do presidente em algum tipo de situação controversa: Lurian influiu, sem qualquer culpa, na primeira derrota de Lula e agora se fala demais no enriquecimento súbito do Lulinha com negócios na Telemar.
Okamoto, cujo sigilo o Judiciário não deixa quebrar, fez empréstimos a Lula e a Lurian, como se sabe.
Desperdício
Exemplos clássicos de desperdício: o referendo das armas e o astronauta.
Transgenia
A juíza federal mandou cumprir a decisão no porto: agora teremos o sofisma de que os terminais não podem segregar. E a tensão prossegue.
Agito
As vanguardas do atraso vêm do Rio Grande do Sul, Stédile, MST, Via Campesina até nós para receber Chávez. Como se vê, na América Latina não é só o petróleo que é fóssil.





