O conflito como método
A forma como a administração portuária do Paraná aparenta atender decisão do STF e praticamente a torna inócua é a técnica do conflito levada ao paroxismo, uma linha comportamental bem conhecida. Tentando levar o exame da matéria para tecnicalidades como a de um terminal, o da Bunge, exclusivo para transgênicos, tenta ganhar tempo e sugerir resistência.
Basta olhar o que se dá nos outros portos para saber que inexiste problema para a segregação em Paranaguá. Só que o sofisma usado vai dar mais prejuízos aos terminais que perderam investimentos de mais de R$ 600 milhões.

Nepotismo
Na malhação de Judas de amanhã o nepotismo vai ser o alvo maior. E isso acumula energia para o segundo turno da votação da PEC.

Sabedoria
Um gaúcho velho falou assim sobre expectativa de vida: ''as mulheres são mais adoecentes e menos morrentes''. Sociologia intuitiva emcima do IBGE e de um rigor acadêmico absoluto em matéria de demografia. Pós graduado espontâneo.

Censura
CNBB recomenda que o católico não assista ao ''Código da Vinci''. De um lado está certa, mas de outro estimula a maioria, que se diz católica e não segue rigores, a não apenas ver como também ler. Lembro em Sorocaba, nos anos 50, quando os congregados marianos fizeram campanha contra o filme ''Tormentos do Desejo'' em que a brevelínia Françoise Arnoul ficava pelada. A fila dava volta na quadra e, é claro, que houve remorsos e confissões depois. Catolicões, com sua proibição fartamente divulgada, ''promoveram'' o filme.

Folclore
Os maiores brigões de Curitiba, Carlinhos Pereira e o Edemir Rocha Loures, viviam se enfrentando até que, numa noite, no ''Café Acadêmico'', na rua XV, exageraram na dose. E o Edemir pegou uma pequena faca e foi o suficiente para que Carlinhos, indignado, ao ver a arma branca, declarasse em voz alta: ''Não brigo mais com você'', como se estivesse dizendo ''não brinco mais com você'' e numa versão emocionalmente infantil, sofrida, pura, pior do que apanhar. E nunca mais brigaram. Isso, sim, é ética, não esse discurso pegajoso que anda por aí. Nos brigões românticos as regras do jogo não admitiam o uso de instrumental, além dos punhos. E o Edemir se teria flagrado num desvio de comportamento dos mais graves, num pecado mortal.
Além de um fenômeno ético, um caso clássico de catarse.

Defesa
João José de Arruda Júnior, presidente do PMDB Jovem, nega que o deputado José Maria Ferreira tenha sido impedido de falar na reunião conflitada em Arapongas. Tem vídeo e fita de áudio para comprová-lo. Se o deputado fosse o governador, só para criar caso, pediria perícia nas fitas. Da mesma maneira como age no caso da soja transgênica no Porto. Por que ir pela via mais simples se há o espaço da confusão e do conflito permanentes?

Menos um
No PFL se aceitaria, conforme Alceni Guerra, numa imposição utilitária de aliança nacional, qualquer um do PMDB, menos Roberto Requião.

Maluquice
Há o Menino Maluquinho, mineiro como seu criador, Ziraldo. E com a entrada do Itamar Franco na condição de candidato presidencial dá para imaginar o que vem por aí e que pode alterar as certezas dos alquimistas da praça que dão Requião como ganhador prévio da parada por aqui.

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