Dow Jones e política


Como se percebeu no andamento das CPIs não é apenas o Ibope que monitora e que, de certa forma, condiciona a ação política. Também o índice Dow Jones e a Bovespa operam aí como as perturbações climáticas nos negócios da lavoura. E isso deu para perceber até o momento em que a blindagem que protegia Palocci ainda era argumento que inibia a oposição, sob o fundamento de que se tratava da figura que encarnava os resultados positivos do modelo econômico. Tantas eram as mesuras do PSDB e do PFL ao ministro nas inquirições que dispensavam o ardor dos governistas.
A fantasia não caía nem com a evidência de que o PIB brasileiro só crescera acima do registrado no Haiti. Quando houve a ação delinquente da quebra do sigilo do caseiro e a evidência de que o ministro mentira o dique finalmente foi rompido. E o índice Dow Jones, ainda que se acreditasse no caos, mostrou que ele, às vezes, embora nem sempre, joga em tabelinha com o Ibope, isso é simétrico à opinião pública.
Essa foi uma das avaliações que o deputado federal Osmar Serraglio, relator do instituto parlamentar que consolidou a maior derrota do governo e até aqui a maior vitória da democracia, consumada na aprovação do relatório, fez no fim de semana em Curitiba e acertadamente.


Reprise


A hegemonia dos times da Capital é um breque na integração cultural do Paraná. Depois dos distantes feitos do Londrina, do Maringá e de Irati, este bem mais recente, só dá para lembrar aquelas belíssimas excursões dos clubes de Ponta Grossa (Guarani e Operário), Jacarezinho (a Esportiva), Telêmaco Borba (Monte Alegre), Santo Antonio da Platina (Platinense), Cambará (Cambaraense), Cascavel (dividiu um título com o Colorado). Muitos desses jogos foram decididos em favor da Capital pelos árbitros, mas fixaram algo relevante para completar a integração física do estado na parte cultural.
Não há como evitar que ao norte e ao oeste-sudoeste ainda os sucedâneos locais não tenham como substituir matrizes paulistas e gaúchas. Neste ano com a Adap de Campo Mourão e no retrasado com o Paranavaí vivemos esse clima.
Está aí um tema de valor para sociólogos e filósofos de plantão.



Camus


Há um tipo de intelectual que se horroriza com o esporte. Pois o filósofo e teatrólogo Albert Camus, argelino, se orgulhava de ter sido goleiro do Oran e ter vivido no futebol as melhores provas de solidariedade. No Brasil, Coelho Neto, pai do Preguinho, do escrete brasileiro e do Fluminense, defendia a bola que Lima Barreto atacava. Aqui no Paraná, um dos maiores intelectuais que tivemos, Ernesto Luis de Oliveira, dizia que sua maior glória era ser pai do Luisinho, da seleção brasileira de 1938.


Folclore


Anteontem, em Paranaguá, havia 15 caminhões com soja transgênica em fila no pátio de triagem do Porto. Os parnanguaras faziam ironia: a administração portuária começou com uma greve-locaute de trabalhadores e operadores, apoiada pela cidade, passou pela explosão do VicuÀa tentando abafar a festa da padroeira do Paraná e pelo jeito vai procurar ''melar'' a Semana Santa. Se houvesse suspeita de ovos de chocolate com cacau transgênico se completaria a festa.
O julgamento da gestão portuária foi a eleição municipal.

Slogan
Um malicioso ''slogan'' foi produzido numa agência de propaganda para as Malas Ika. ''Amor de Ika, numa só não fica.'' Parece que o apelido de mala nasceu para alcançar o criador do saque. Obviamente não foi ao ar por se tratar de um exercício de criatividade interno.

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