Sem cavalos
Irritadíssimo, o governador, abrindo a ''escolinha'', condenou o movimento dos professores, tradição de todas as administrações, rotina do calendário. Quando está na oposição defende o professorado. No governo, acha inconcebível tamanha heresia. De qualquer forma, diante da adversidade, disse que não negocia com a APP-Sindicato, como se só a sua opinião valesse.
Requião não tem a noção do próximo, inerente ao diálogo, ao contraditório, porque carece do senso de alteridade, a ''perspectiva do outro''. De qualquer forma prometeu, enfaticamente, que não haveria cavalos e bombas de gás, para lembrar da sua diferença com Alvaro Dias. Não se sabe se para poupar os cavalos, que tanto curte, inclusive lá no Canguiri, ou os professores.

Chavismo
Há uma chave em gestação: a de que o governador se reelegeria pela soma das alianças, por mais ilegais como as do PT-PMDB-PSDB gestada no gabinete do Doutor Calegari na Assembléia Legislativa. Algo igualzinho à síndrome da Venezuela em que o Chávez se elegeu pela ausência de adversários.

Brilho
Na ''escolinha'', o momento de reflexão e meditação ficou por conta do ex-frei e teólogo Leonardo Boff. Depois que deixou a salada marxista (em que não havia para melhorá-la o jardim do Burle e a graça do Groucho) da Teologia da Libertação, entrou na luta ambientalista e com uma boa carga de misticismo como já o havia demonstrado nas convenções da ONU. Sua capacidade de convencimento tirou o cenário da anestesia demagógica habitual.
Sua ''descoberta'' de que as galinhas não perecem de morte natural talvez seja uma concessão à luta retrô do MST e Via Campesina contra o agronegócio, a riqueza, a tecnologia e a lógica do capitalismo.

Folclore
Da mesma forma que chama o ministro da Agricultura, Roberto Rodrigues, de assalariado da Monsanto, o governador, na reunião do ''Mãos Limpas'', teria afirmado que o senador Osmar Dias faz lobby pela Ocepar e de cuja relação ele teria até o holerite. Requião age como ininputável, o que pode dizer tudo sem prestar contas a ninguém. Anteontem, ouviu uma boa de Lula ao reclamar que o Tesouro Nacional taxa o Estado por causa dos títulos podres trocados por ações da Copel e não honrados. Chiou do ministro Paulo Bernardo e Lula atalhou: ''Mas você chama o homem de picareta e quer gestos de colaboração?''
Quando Requião foi cassado, Osmar Dias e o vice, Mario Pereira, comandaram a resistência em comícios e ações de rua. Também Alvaro Dias lhe garantiu a eleição ao manter-se no governo e depois foi moído. Como os outros.

Sem fila
Paranaguá, na safra passada, equilibrou praticamente em exportação com Itajaí e perdeu na importação. Somado o movimento a São Francisco, perdemos. Talvez seja uma das explicações para a inexistência de filas no terminal. Diante dos problemas que criou relativamente ao Cais Oeste o Paraná perdeu um investimento da União de quase R$ 200 milhões.

Óbvio
A disponibilidade de caixa do governo se foi com o aumento de categorias que estavam 11 anos sem reajuste. Ficaram de fora delegados de polícia, advogados e procuradores. O tacho está raspado. Não há como atender o magistério e, pelo jeito, teremos greve de puro desgaste político e sem resultado prático.

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