Gerir pelo conflito
Não se pode dizer que o conflito seja o método de Requião governar, embora presente no caso específico das divididas entre os seus principais assessores jurídicos. Ela está visível na concepção divergente que ambos demonstram tanto no caso chave do pedágio como agora nessa história do voto isolado e vencido sobre reajustes em favor de uma empreiteira.
A oposição está divulgando esse voto por escrito e tentando, é claro, tirar partido da situação. Um semanário o publicou na íntegra, as rádios registraram e analisaram o problema. Não há como aceitar o silêncio do governador que já fez comentários sobre a matéria sem examiná-la bem a fundo.
Como há dados materiais não se pode tratar a questão como a do suposto e meio folclórico desencontro entre o ex-secretário Mussi e o titular da Comunicação. Aquele incidente só derrubou uma pessoa, que fez, na condição também de assessor, a denúncia num jornal do Oeste e perdeu os empregos, o oficial e o privado. Seguiu-se uma cortina de silêncio como se nada tivesse acontecido. Ali havia algum toque de exagero: falava-se que a TV pretenderia receber R$ 500 mil, o que beira o inverossímel pela baixa audiência.
O governo diz ter saneado a Sanepar e a devolvido ao controle estatal e longe das pretensões privativistas do complexo Dominó. Tem que clarear tudo como a água que só é dada como boa quanto atinge um grau de cristalinidade. Fica aí inaceitável que se vá turvando até ficar entre o translúcido e o opaco.


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O ministro Palocci falou num cenário do mundo financeiro e reclamou da baixaria que o atinge. Não tinha a convicção das situações anteriores em que se saiu muito bem, tanto no Congresso como nos entreveros com a mídia. Não é o mesmo e tranquilo agente-chave do governo Lula. Quanto mais crescer o cerco em torno do caseiro, ainda que válida a máxima investigação, será pior. Pode-se dizer que hoje a mansão do lobby de Ribeirão vai muito além da Casa da Dinda.

Porto
Não há clareza na questão da dragagem do Porto de Paranaguá e por isso o CAP, Conselho da Autoridade Portuária, tem reunião extraordinária para 11 de abril.

Livre trânsito
Marcelo Almeida, candidato a federal pelo PMDB, ficou craque não apenas em trânsito mas também nas técnicas da livre circulação entre políticos. Fez um vídeo de cada cidade, contando sua história, e ofereceu de regalo aos seus munícipes. É sinal verde para ninguém botar defeito, porém corre o risco de trombadas de adversários menos imaginosos.

Denúncia
Normalmente discreto, o ex-prefeito Cassio Taniguchi contou à imprensa que havia conseguido a aceitação entusiasmada do BID do Eixo Metropolitano até Colombo. Quando a missão esteve no Palácio Iguaçu, Requião teria dito que nem morto aceitaria a obra chegando em Colombo, razão pela qual teve seu final no Atuba, embora isso nada custasse ao Estado e ao município.

Folclore
A pobreza temática da próxima eleição do governo é visível: novamente pedágio e agora o nepotismo. Como o governador apresentou o seu projeto, ainda que para valer só em 2007, é visível que não está fácil enquadrar a doutrina do nepotismo ''esclarecido'' que ele próprio invocou entre parentes e parênteses.

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