LUIZ GERALDO MAZZA
Desobediência alegórica
Pegou mal na área política a supressão das prévias nacionais do PMDB. Foi uma vitória dos situacionistas, ainda que supostamente minoritários no partido, mas conduzidos por duas figuras fortes, os senadores José Sarney e Renan Calheiros, o atual presidente da Câmara Alta.
O histórico do partido tem demonstrado que mesmo na hipótese de sair-se mal no pleito presidencial a experiência garante um bom desempenho na proporcional e também na majoritária para o Senado. Por sinal que o Paraná esteve presente em duas delas: a primeira com Alvaro Dias e que ficou em quarto e último lugar depois de Iris Rezende, Valdir Pires e Ulysses Guimarães e a segunda quando o atual governador, Requião, mediu forças com Orestes Quércia e levou um baile. Nos dois casos o PMDB acabou fazendo a ''operação camarão'', cortando a cabeça de chapa, e se dividindo entre as candidaturas polarizadas.
No Paraná o apoio de Requião a Germano Rigotto e a postura tribal da maioria, como sempre tem acontecido, asseguram a vitória do gaúcho. Dificilmente haverá grande frequência porque o partido já não tem tantos militantes como em passado não muito distante. Se o agito contra a venda da Copel, que era um tema sério, já foi uma inocuidade imagine-se o que ocorrerá se o PMDB não for aos tribunais, e seriamente, para discutir a medida.
Bom mocismo
Uma das dificuldades da oposição nacional é o fato de ter construído as salvaguardas que até aqui protegeram Palocci. Todas as vezes em que foi ao Congresso as mesuras eram tantas para o ministro que até constrangiam e as inquirições não tinham a veemência necessária. Agora, especialmente depois dos depoimentos do caseiro e do motorista, o tom mudou e ficou belicoso diante da ordem de censura por parte do Judiciário.
Não há possibilidade de pensar, como antes, no ''custo Brasil'' e nas diástoles e sístoles do mercado. O cronograma para fazer oposição é curto e, se houver baixa aplicação, tudo irá por água abaixo.
Para depois
No caso dos transgênicos, o presidente Lula apostou no lado emocional ao colocar o Brasil a favor da rotulagem no andamento dos encontros da ONU. Um governo perplexo (vide o que se dá com as estradas e a infra-estrutura em geral) não tem a menor condição de a médio prazo assumir as consequências práticas no campo logístico para segregar os OGM. O que ocorreu no caso da febre aftosa dá bem a idéia dessa ausência de sentido e o bloqueio ao mel brasileiro, sabidamente um dos melhores do mundo, pela União Européia porque o Ministério da Agricultura não cumpriu o seu papel na certificação do produto afinal o confirmam.
Precipitação semelhante aquela em torno da China como economia de mercado.
Prometeu
O prefeito de Curitiba, Beto Richa, vai dar escassa contribuição na hipótese de uma candidatura regional do PSDB ou a ele acoplado ao governo estadual. Está a lembrar um Prometeu Acorrentado diante do cerco do governador Requião que lhe dá respaldo em ações comuns administrativas. Fala-se que seria o candidato ideal para 2010. Um engenhoso raciocínio, aliás trabalhado por governistas e o presidente da Assembléia, Hermas Brandão, imagina um aliança entre PMDB e PSDB e que geraria um ''acordão''. Nele Requião se reelegeria e Hermas seria o vice e Alvaro ficaria isolado para o Senado. Algo para lá de melancólico e antidemocrático.
Folclore
Se sair o acordão, o PSDB ficará com a corda para enforcar-se. Dá, ainda, tempo de acordar e deixar de ser desfrutável para laranjices. Trocadilho, às vezes, educa. E serve a quem discorda.





