LUIZ GERALDO MAZZA
Piparote na borboleta
O nosso governador discursava, e com muita veemência, na Conferência da ONU (e ali tem um sítio paralelo alternativo para o MST e a Via Campesina, aquela que detonou um centro de pesquisas no Rio Grande do Sul) sobre meio ambiente. Surfava na onda, mais do que isso um ''tubo'', que deflagrou com a sua cruzada nos portos contra os transgênicos e naturalmente se atribuía parte do feito na rotulagem desses produtos decidida pelo governo quando uma borboleta pousou em seu rosto. A seriedade da oratória tinha um contraponto no inseto inoportuno até que, ao perceber seus movimentos, liberou-se do lepidóptero diurno com um gesto brusco, um tapa. Nada mais antiecológico, ainda mais se houvesse no recinto uma delegação de entomologistas, o padre Jesus Moure, por exemplo, nossa glória (e mundial) na especialidade.
Como o cenário era transmitido pela Educativa houve, é claro, a acrobacia de câmeras e diretores de TV para neutralizar a incômoda situação mais ajustada a um quadro de ''non sense'' com Jerry Lewis, como já ocorrera nacionalmente, com aquela situação absurda do governador comendo caroço de mamona e sendo alertado pelo presidente de sua toxicidade. Esclareça-se que a mamona se presta como combustível de foguetes espaciais e como purgante, aquele do derivado, óleo de rícino.
Uma borboleta é uma sequência de metamorfose, de ninfa a crisálida, bem menos horrenda que a do Gregório Samsa de Franz Kafka, o homem que se transmudou, de uma hora para outra, e lentamente, em barata. Será que deu o grupo 4 no jogo do bicho em simetria à poesia alada que perturbou o governador?
Ainda borboleta
Num comício, Maurício Fruet, que era engraçado sem agredir e sabia fazer-se, de uma hora para outra, em espetáculo, acabou, de boca aberta, engolindo uma borboleta, daquelas multicoloridas papanás que parecem sonolentas ante o movimento das asas. Tentou cuspí-la, mas não deu. E se estivesse numa boa acabaria cantando a velha e lírica ''Voa, minha linda borboleta// Voa procurando a amplidão// Voa porque a vida é tão boa// quando se tem um amor no coração!''
Do Lerner, afirmam alguns provavelmente áulicos, se costumava dizer que, por vezes, era aureolado por belíssimos e ágeis colibris como se fosse uma versão obesa de São Francisco. Dele os puxa-sacos eram capazes de ver uma aurora boreal se na manhã fria soltasse vapor pela boca.
O que dizem os seguidores de Requião da mamona e da borboleta?
Mais carga
O ex-chefe de gabinete dos portos, o advogado Paulo Moacyr Wilhelm Rocha Filho, tem mais interpelações administrativas contra o seu ex-chefe Eduardo Requião: quer detalhamento da central de contêineres de Ponta Grossa que pertenciam à Conab e do terminal sucroalcooleiro para instruir ação popular.
Já havia pleiteado documentação sobre o novo silo para 107 mil toneladas de granéis sólidos e o terminal de fertilizantes. Cópias foram enviadas aos órgãos de controle: Antaq, Tribunal de Contas e Conselho da Autoridade Portuária por infringência da Lei 8630 que tirou o poder público da condição de operador portuário e atribuiu-lhe funções de coordenação.
Folclore
No primeiro governo Requião ele criou o ''Disk Quércia'' para atingir o governador de São Paulo e dirigente do PMDB. Pois agora a bancada lulista do PT (será maior do que a ''requianista''?) cogitava ontem de lançar o decalque, o ''Disk Parente'' para denunciar casos de nepotismo. Inclusive os próprios.
Deu Pessuti
Tentaram criar suspense, mas Orlando Pessuti levou a disputa no TC. Seria extrema deslealdade ocorrer o contrário pela soma de serviços prestados.





