O Paraná surfa

De repente o Paraná saiu do armário no ''tsunâmi'' da corrupção e passou a mostrar habilidades nas artes de surfar em lama e areia movediça. Tanto as declarações de Tony Garcia como as de contestação do advogado Roberto Bertholdo dão a entender que havia uma conexão local dos mensalões. Aliás, o primeiro era candidato a senador e o segundo o seu suplente, o regra três, naquela campanha sinistra que acabou, pelo choque direto, detonando Paulo Pimentel e facilitando a vitória do petista Flávio Arns. É que Paulo e Tony caíram no erro de trocar chumbo e acabaram fazendo a guerra de babuínos, os primatas que se agridem com as próprias fezes.
Obviamente, num cenário desses não é fácil separar a verdade da especulação e a mentira insidiosa do que é realmente documental. Se até agora, com toda a carga excepcional de denúncias, só se apurou as coisas no âmbito político e assim mesmo marcadas pela impunidade e o deboche, dá para calcular o drama que está vivendo a binacional de Itaipu. Por mais que ela tenha razão nos fatos que vem colocando em sua defesa não pode ocultar que o advogado Bertholdo integrou o conselho da empresa e que só essa contingência a coloca sob o risco das presunções pela ligação que esse personagem tinha com Zé Dirceu.
A conexão ora investigada é a do PMDB para quem, segundo Garcia, o advogado Roberto Bertholdo partilhava uma outra linha de mensalão. A Itaipu conseguiu na última ''IstoÉ'' o direito de resposta e tenta obtê-lo, e duas vezes, em relação à Editora Abril. Será no curso desses procedimentos que teremos mais informações, o que afinal mostra, de saída, que essa fama de introvertidos não nos serve. Todavia assenta bem a de autofágico, tal qual se vê no aproveitamento que uns e outros fazem desse material à base da manipulação e da distorção interessada.


Reincidente
Onaireves Moura, o presidente da Federação de Futebol, está preso na Polícia Federal desde ontem pela manhã. Motivo: falsidade ideológica, sonegação fiscal e formação de quadrilha. Era sócio, segundo a denúncia, de empresas de bingo em Ponta Grossa. Ele tinha várias em Curitiba quando a batota era livre.


Contagem
O deputado Tadeu Veneri, do PT, teria contabilizado no governo estadual nada menos de uma lista de 43 parentes dos Mello e Silva. Nenhum governante chegou a esses extremos: Lupion nomeou o irmão José para a Copel e quando denunciado o demitiu; Munhoz da Rocha não beneficiou ninguém, mas na sua gestão tivemos os presidentes do Judiciário e do Legislativo de sua família, o constituinte José Munhoz de Mello e o criminalista Laertes Munhoz, nada caracterizável como nepotismo; Ney Braga designou um irmão para a Fundepar; Alvaro o irmão Osmar. Analogia impossível.


Conflito

Mais um conflito na administração estadual: o ex-chefe de gabinete da APPA, advogado Paulo Moacyr Wilhelm Rocha Filho, está exigindo que seu ex-chefe, Eduardo Requião, lhe dê informações sobre o novo silo para 107 mil toneladas de granéis sólidos e o terminal de fertilizantes. Objetivo: ação popular nos dois casos. Cópias da interpelação foram encaminhadas à Antaq, Agência de Transportes Aquaviários; Conselho da Autoridade Portuária e Inspetoria de Controle Externo do Tribunal de Contas.

Folclore
Onaireves Moura preso outra vez: por acaso no jogo do bicho deu avestruz?

Bingo
Presidente da Copel ganhou no bingo uma tevê na paróquia do Tarumã e doou o aparelho para a creche que promovia a quermesse.

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