Momento aziago

Ainda ontem mostramos ameaças ao Paraná no quadro de ''desindustrialização'' brasileiro. O fator de empuxe de nossa economia que atingiu seu patamar máximo em 2003 com os feitos do agronegócio está em queda livre: a produção de 30,4 milhões de toneladas em 2003 baixou para 25,9 milhões em 2004 e desabou para 22 milhões no ano passado. Um tragédia, visível no drama dos produtores, que tentam acertar meios de renegociar dívidas.

Há fatores que, decorrendo de variações climáticas, são fortuitos, mas há outros em que a intervenção do mau gerenciamento e da incapacidade de mostrar um mínimo de senso para controlar situações como o descalabro dos portos e esse horrendo sacrifício em massa do gado em áreas suspeitas de aftosa, onde primamos, em vários momentos, pelo uso da bravata que, quando empregada em coral, se torna ainda mais calamitosa.

O quadro é triste: a previsão técnica da safra 2005/2006 teria uma redução de 17,4% em relação à projeção inicial, caindo, em consequência, de 21,85 milhões de toneladas para 18,05 milhões de toneladas. Algo como praga do faraó.

Na realidade o Paraná tem sabido dar respostas a esse tipo de adversidade desde as geadas que foram paulatinamente minando a cafeicultura até as perdas com o ciclo da diversificação, mais recente, em decorrência da estiagem, como se deu agora. Para isso é preciso que o governo tenha representatividade e saiba, se possível com diplomacia, mas em caso contrário com audácia, ser o porta-voz de todos. Não podemos esperar que chova água-benta na lavoura. Urge a mobilização para a retomada da confiança e aí, sim, é preciso ser combativo e generoso.


Nepotismo

Quem primeiro entrou com ação popular contra o governador Requião no caso do nepotismo foi o empresário Guilhobel Aurélio Camargo, desde 2004. Agora com o pleito de Rubens Bueno, do PPS, é possível que o processo ande. O fato é que o MP anda agindo nessa direção contra prefeituras e câmaras municipais pedindo até devolução de pagamentos.
Mas o assunto é polêmico: alguns acham que é indispensável provisão legal, isso é legislação específica tratando do assunto; outros entendem que o parenteralismo, sob qualquer forma, afronta princípios gerais da Carta de 88. Pior é ficar sem solução, alimentando o cronograma eleitoral. Daí a importância da inicitiva do presidente Hermas Brandão, da Assembléia, desde que casuísmos não tirem o efeito principal da medida.


Em alta

Se houver o conflito entre Legislativo-Executivo e Judiciário na questão da manutenção da verticalização os dois primeiros entram nessa batalha com os ônus do pouco esforço para punir a corrupção (vide absolvições nas CPIs e mais o vexame da convocação extraordinária) e o terceiro com sua ascensão no caso do nepotismo e agora, mais recentemente, no do teto salarial do serviço público em R$ 24,5 mil.


Derradeiro

O último cinema de Curitiba, já que o São João fechou, mesmo se ligando nas películas de pornografia, é o Plaza, na praça Osório, pertencente à Aspp, Associação dos Servidores Públicos do Paraná. Essa pretende transformá-lo em estacionamento, todavia alega-se impedimento em função dos que fizeram a doação para o fim específico de exibição de filmes.


Folclore

Uma das justificativas da contrainformação na Boca Maldita em Curitiba era justificada por Anfrísio Siqueira: ''o boato é o embrião da verdade''. Os políticos fazem da especulação e o do factóide a mesma doutrina.

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