LUIZ GERALDO MAZZA
República de araque
A resistência do nepotismo é a maior prova de que apesar de proclamada no fim do século retrasado, a República no Brasil é uma ficção. E não é preciso sair do Paraná para percebê-lo e até de simples unidades municipais. Há algo que rescende a monarquia pela forma distanciada como se colocam as autoridades diante do povo em níveis apropriados à pré Revolução Francesa.
Com toda a melhora havida em termos de informação e de acompanhamento da mecânica institucional, como se percebe nas CPIs, o que há de covers de Maria Antonieta no pedaço é de espantar. O próprio presidente da República, com todo seu currículo no basismo, em não poucas vezes lembra um monarca, tal qual se dava, com maior brilho circunstancial pela finesse intelectual, com seu antecessor, Fernando Henrique.
O controle externo do Judicário já fez algo que justifica a sua criação: comandou a operação anti-nepotismo e um dos relatórios recentes do CNJ mostra que de cada 10 ações intentadas no ano passado no Brasil apenas duas tiveram julgamento finalizado. Isso não é republicano.
Mundo cão
Filas de recadastramento do bolsa família, no interior brasileiro, criaram cenas de mundo cão que nem o Gualtiero Jacopetti imaginou: gente miserável esperando, em meio a lixo e ratos, por mais de 48 horas, para serem atendidos. D. Geraldo Majella, Cardeal presidente da CNBB, apesar de reconhecer utilidade dessas formas de assistencialismo para situações extremas alertou para o fato de que não reconstróem a dignidade do homem, o que se obtém com emprego.
Se Lula, por sua vez, declara à revista britânica ''The Economist'' que o Brasil não tem pressa de crescer, isso é partir para o desenvolvimento, passa-se a ver no assistencialismo do Estado-Albergue uma saída.
Néo JK
Lula se dizendo um novo JK é a essência do patético. Abstinência do álcool nem sempre ilumina o raciocínio.
Escravatura
A DRT está preocupada com setores de sintonia fina como o automotivo, o que é importante para coibir abusos, mas as carvoarias, o trabalho em reflorestadoras e na exploração de minérios é fiscalizado com ênfase? O setor
bancário, por exemplo, com suas metas desumanas, não é avaliado.
Folclore
Por falar em supervivências feudais dá para lembrar do embargo que o primeiro governo Requião tentou fazer da usina hidrelétrica do rio Betaras na Região Metropolitana, pertencente ao célebre Bento Chimelli. Quando lhe perguntaram sobre o projeto da represa ele deu a resposta batendo na testa: ''está aqui na minha cabeça''. Isso saiu em côres, em primeiríssimo plano, na Rede Globo desmoralizando o aparato fiscalizatório do Meio Ambiente, Instituto de Terras, PM, o escambau. Uma cena bufa.
Lavação
Pelo jeito a estória de lavar a calçada de um jornal por um grupo de militantes do PMDB condicionou certas pessoas: domingo passado, perto do meio dia, em pleno funcionamento da casa, inclusive com turistas, empregados do Café Avenida jogaram água, a pretexto de limpeza, nas instalações quase atingindo os clientes. Mau exemplo frutifica e às vezes forte fica.
Multas
Apesar da dissimulação de bom mocismo de Beto Richa, nesse ato de identificar os radares, as multas da Diretran obedecem um ritual da Santa Inquisição em que o motorista vai pra fogueira, antes de ser ouvido. A ''indústria'' funciona a todo vapor. E agora com a omissão do PMDB por causa do pacto entre o governador e o prefeito.





