A queda visível

Era visível que em função de uma série de fatores conjunturais o resultado das exportações pelos nossos portos cairia de forma radical. Mas é claríssimo também que não é pequena nesse processo a contribuição da gestão temerária imprimida aos nossos terminais. Vamos aos números do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior: em 2004 a renda foi de 2 bi, 632 milhões e 83 mil reais e em 2005 caiu para 2 bi, 121 milhões e 48 mil reais. Ficamos em segundo lugar no Sul e quarto em nível nacional.
As coisas não param aí e, em relativamente pouco tempo, poderemos perder até para o complexo portuário de Santa Catarina que se moderniza em ritmo bem acelerado, enquanto o nosso nada faz para equipar-se e tanto que é, de forma constante, assediada nas cobranças da Agência Nacional de Transportes Aquaviários, Antaq, do Ministério dos Transportes e do próprio Tribunal de Contas da União.
Admite-se que a quebra nas safras em função da estiagem (o que, aliás, ameaça repetir-se) foi um fator preponderante, mas não se pode subestimar o problema gerencial, visível no fato de que promessas (a anunciada e nunca realizada dragagem dos berços de atracação e construção do cais oeste, do qual perdemos uma fortuna do governo federal) e bravatas não levam a lugar nenhum.

Deslumbre

Ontem melhorou o fluxo de trânsito na Visconde de Guarapuava com as medidas adotadas, mas persiste o engarrafamento burocrático no interior da prefeitura que conduziu de forma desastrada a questão. Resíduo ainda do deslumbramento do poder. Há, no entanto, a certeza de que esse estado de espírito não durará o tempo ocorrido no governo federal. Nem a roubalheira descoberta os acordou. É a prova de que o embotamento persegue a euforia.

Razão e magia

Há mais viabilidade no sonho encantado dos meninos que usam espelhos para atrair balões (e fazê-los cair) nas festas juninas do que nos projetos dos políticos. Dá para reconhecer que, a despeito de tudo, o poder magnético dos safados é de uma força considerável, demiúrgica.

O peso

O peso de Orlando Pessutti, o da sua contribuição à política e especialmente ao Legislativo que presidiu, pode ser decisivo na sua condução ao TC. Todavia a existência de mais de vinte candidatos mostra que o processo de escolha melhorou. Nem toda carta marcada é um mal.

Folclore

O professor Mazzaroto, o João, não o Jerônimo, tinha o hábito de usar a pedagogia antiquíssima para disciplinar alunos, lançando em sua direção o apagador da lousa de ardósia ou uma régua e de chamar as moças de ''tonga'' quando revelavam baixo QI. Num dia apanhou um aluno colando e ele o fazia com um compêndio enorme, certamente emprestado da Biblioteca Pública. Quando o surpreendeu foi citando frases latinas ''se estudes, estudes tibi'' (se estudas, estudas para ti). E pegou o livro e o lançou janela abaixo.

Insubstituível

Sem Martinho da Vila, a Vila Isabel levou no samba. Com o Ronaldo fenômeno do jeito que está o Brasil não leva a Copa. O episódio de Martinho é uma parábola para os políticos considerados insubstituíveis. Mas quem no PT nacional e no PMDB regional substitui Lula e Requião?

Nova tensão

Apesar das cenas da última ''escolinha'' de solidariedade dos professores ao governo, e das lágrimas até que provocaram no governador (como somos assim vulneráveis ao melodramático), a vanguarda e base da categoria partem para novas reivindicações pleiteando isonomia com o pessoal universitário. É o mais recente programa da APP Sindicato. Por mais aguerrida que seja, a classe vai ter que reconhecer limites. Eles são apenas 50 mil e não todo funcionalismo.

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