LUIZ GERALDO MAZZA
PT, menor que Lula
A reação percebida nas pesquisas em favor de Lula mostra que, a despeito de tudo o que ocorreu, ainda é muito forte a identificação dos brasileiros, e não apenas os segmentos da pobreza, com ele. Nas últimas sondagens percebeu-se que o aval maior vinha da legião de ''descamisados'', prato cheio para todas as variações de populismo.
Aos poucos as classes médias, que tinham repelido a corrupção montada de forma institucional no partido, voltam a mostrar empatia pelo presidente. É a prova de que o ''misturador de vozes'', adotado pelo governo, funcionou e na última pesquisa Lula já batia José Serra no segundo turno.
O Lula distraído, mais do que traído, que de nada sabia do que ocorria no entorno do Palácio Alvorada e especialmente na Casa Civil e nas entranhas do PT, foi uma operação que funcionou. Esse generoso benefício da dúvida decorre dos sedimentos aí persistentes de crença no ex-operário.
O PT sempre teve consciência de que era menor do que Lula e aquilo que foi apontado como um erro a complexidade das alianças diametralmente opostas a tudo o que o partido sempre representou parece constituir-se no seu respaldo maior. A essa altura, com o fulgor da sua vocação fisiológica, o PMDB de Renan Calheiros e José Sarney deve comandar a guinada para a aliança, apesar de estar marcada a prévia interna, até aqui entre Rigotto e Garotinho.
Requião, de seu lado, já está, como dizia Brizola, costeando o alambrado.
Tucanato
A vitória nas eleições municipais de grandes centros assanhou muito o PSDB. O partido teve 119 prefeitos a menos do que em 2000, todavia estaria teoricamente comandando (eleitores governados municipalmente) 25 milhões 615 mil 145 eleitores contra 17 milhões 55 mil e 261 do PT e 16 milhões 889 mil e 596 do PMDB e 15 milhões 506 mil e 423 do PFL. Apesar do relativismo dessa amostragem ela deixa claro que se o PMDB for dividido, o que sempre acontece, ou aliado a balança pende para o PT. Detalhe: enquanto o PT ganhou 224 prefeituras, o PMDB perdeu 200 e o PFL 238.
Assim, pois, o PT, que era a essência do ideologismo, está hoje dependente, mais do que nunca, do fisiologismo, insumo pouco ético de nossa política.
Justificativa
Fragílimas as tentativas tanto da área técnica da Secretaria de Educação como da APP-Sindicato para justificar o desempenho das escolas, especialmente as públicas, no Enem. Notícia (aliás não negativa demais) não deve ser alvo de exorcismo como fazem o governo e o PMDB, mas fator de reflexão, avaliação e programa para superação. O Paraná cresceu sob Ney Braga porque esse tipo de comportamento era rotina, embora o defeito comum do triunfalismo.
Folclore
Embora sem a causticidade de Requião, Lerner também é muito bom em saques. Quando teve que enfrentar Alvaro e Requião ele os chamava de o ''vaidoso'' e o ''raivoso''. Uma das contundentes sobre Alvaro Dias foi aquela caricatura de que ele tinha todo o jeito de um ''maitre'' de churrascaria de estrada.
Ao seu adversário implacável, o jornalista Cândido Gomes Chagas, ele chamava de ''inimigo de estimação''. Num dia fui obrigado a elogiar uma medida tomada numa sequência de críticas. Quando o assessor lhe deu a notícia, replicou: ''Exijo o direito de resposta''. Seus áulicos não eram espirituosos e conseguiram me deixar quatro meses sem falar na rádio CBN na base do ''silêncio obsequioso''. Voltei, como Jânio queria (viva o exagero!), na pressão dos ouvintes e bom caráter do ''âncora'' José Wille que divulgava os protestos em fax e e-mails contra o afastamento





