LUIZ GERALDO MAZZA
Causas do Paraná
Muitas dessas questões que levaram o governador Requião a Brasília configuram uma causa paranaense: todos nós queremos que se abrandem as prensas do Tesouro Nacional quanto às multas aos títulos podres e que se reduzam os riscos que ameaçam o nosso principal ativo, a Copel, com as ações nas mãos do Itaú e a pendência com a multinacional El Paso na Corte Arbitral de Paris. É possível um outro estilo de demandar que não seja o da provocação sistemática e o da arrogância, como tem acontecido na copiosa tentativa de o governador mostrar-se o antiparadigma que, afinal de contas, decidiu sua eleição.
Se a circunstância do apoio eleitoral não elide o direito de o governador expor seu ponto de vista sobre os rumos nacionais nada justifica, porém, a insistência deselegante numa analogia incabível. Não dá para comparar limites da província com questões da União, por exemplo, na ruptura de contratos.
Essas anomalias não emergiram por geração espontânea, decorrem de práticas do governo anterior e fundamentadas em lei, apesar da justa desconfiança quanto à prorrogação do contrato relativo às contas públicas no Itaú. O âmbito próprio é um só: o Judiciário, especialmente quando se esgotaram as possibilidades de um entendimento que não foram tentados nem nesses casos nem no do pedágio.
O governador tentou mudar o modelo energético, o que era visivelmente inviável porque referencial da estratégia brasileira. Fez bem em tentá-lo porque no país dos casuísmos de repente surge uma esperança. Hoje na sessão da ''escolinha'' haverá triunfalismo como sempre em cima de matéria de difícil solução, criando expectativas otimistas. O canal apropriado é um só: a dupla Paulo Bernardo, do Planejamento, e Dilma Roussef, da Casa Civil. Não é crível que o ministro paranaense não se empenhe na causa, dispensados os adornos e arroubos oratoriais do crítico de ontem.
Mamona
Que o governador estivesse disposto a mostrar afabilidade com o presidente da República vá lá, mas não que chegasse ao ponto de ''comer na mão'' de Lula as sementes de mamona. Como se sabe que o combustível é usado em foguetes espaciais talvez o governador quisesse ultrapassar a barreira dos 83% do seu Ibope em direção ao mundo sideral e distante de qualquer ''buraco negro''.
Derrota
Mais uma vez ficou demonstrado, ontem, que não temos prestígio nacional: apesar do loby em favor do civilista Luis Edson Fachin o nomeado para o STF foi o desembargador do TJ paulista, Henrique Ricardo Levandowski. E não emplaca nem na próxima vaga, a do ministro Nelson Jobim, atual presidente, a ser ocupada por uma mulher em articulação bem feita de caráter nacional.
Elogie-se o empenho tanto do presidente da Itaipu, de juristas da terra e do próprio governador em defesa do paranaense.
Banho
Ontem, no ''Mãos Limpas'', o governador fez uma preleção brilhante sobre a mamona e seus empregos estratégicos desde a Segunda Guerra. Deve ter lido tudo sobre o assunto. Como ''generalista'' que é deveria saber que o Paraná sempre foi o primeiro ou o segundo, como se dá agora, do ranking nacional.
Folclore
O jornalista Enock de Lima, já falecido, foi convidado a assumir a editoria de agricultura do ''Estadinho'' a pedido do dono, Aristides Mehry, que fazia a página e cansou. Um dia visita o jornal o maior produtor de rami, de Uraí, o Itimura, e na hora em que o apresentaram o jornalista tascou, ao pegar na mão do agricultor e político, efusivamente: ''Muito prazer, seu rami !''
Prisões
A retomada das prisões do ex-prefeito de Maringá, Jairo Gianotto, e do seu auxiliar Paolicchi indica que vem aí material de novo sobre o acordo branco que elegeu Lerner para o governo e Alvaro Dias ao Senado. Jeito de repique.





