Balneabilidade eleitoral

A tal lista de beneficiários de Furnas pode ser um repeteco da Carta Brandi, dos tempos de Jango, ou do dossiê das Ilhas Cayman da época de FHC, mas há possibilidade, num país envolto na isonomia da corrupção, de ter indícios de verdade até porque o ator mor da última devassa, Roberto Jefferson, confirmou ter recebido a grana ali referida.
Não haverá condições de balneabilidade na praia eleitoral: depoimentos de pessoas, apanhadas em operações fraudulentas no setor público, voltam a circular normalmente como se tais documentos não fossem protegidos por um mínimo de blindagem. Eventos ligados à campanha senatorial de 1998, aquela do acordo branco, aparecem na inquirição de operadores e doleiros.
Urge que a justiça eleitoral funcione como o Instituto Ambiental na praia e faça mais do que medir indicadores de poluição no processo. Vai ser duríssimo aguentar o alude de lixo que vem por aí.

Seguros

Depois do episódio com a Interbrazil todo cuidado com seguro é pouco. E no fim de semana falava-se muito de problemas na Prefeitura de Curitiba. Podia ser paranóia, mas também especulação de interessados como concorrentes.

PMDB oscilante

Mostramos ontem a queda do PMDB em Curitiba, sabidamente dirigido de forma desastrosa. Todavia é também pendular o desempenho estadual, embora se viva, no momento, o ''inchaço'' das adesões fisiológicas. Em 1986 para legislativo estadual o partido fez 62,9% dos votos e para o federal 68,4%; já em 1990 no estadual ficou em 26,6% e no federal 20,7%; em 1994 caiu para 22,7% no Estado e 11,9% no federal; em 1998 aparece com 12,1% no estadual e 12,6% no federal e em 2002 uma recuperação lenta 14,1% no estadual e 19,6% no federal.
Quem examina esse quadro vê a razão da ansiedade que cerca os que não contam com o respaldo de secretarias. Em alguns casos, um escândalo.


Folclore

O jornalista Dicesar Plaisant, o pai, fazia discursos veementes nas ruas de Curitiba atacando Manoel Ribas e a primeira-dama. O escritor Valfrido Piloto, delegado de polícia, era escalado para prendê-lo e se recusava por causa de disputas literárias. Numa delas, Plaisant, discutindo questões históricas, assim intitulou seu texto ''Deixe-se de cucas, dr Valfrido''. Valfrido está com mais de 100 anos e mora em Matinhos. A última vez que vi Dicesar ele fazia discursos veementes contra as más instalações da Universidade Federal: ''Dizia Camilo Castelo Branco que uma instituição de pardieiros é uma instituição de merda!'' Mais tarde, Flavio Lacerda reformou o prédio histórico e criou os novos da Reitoria e do Centro Politécnico. Atendeu o apelo do Plaisant.

Litorâneas

O Joca, dono do restaurante Caçarola, de Antonina, sobre a cidade: ''Ela é
boa de viver, mas difícil de conviver''.

Negociações

Relevantes os entendimentos que o governo estadual e equipe buscam no caso dos precatórios, os títulos podres amarrados à venda do Banestado, cadáver insepulto que contamina para o resto da vida a nossa situação financeira. Surpreendente, porém, a perda de tempo anterior, pois se sabia de todos os riscos. É melhor negociar isso em momento de possível pacto eleitoral, porém segundo os mais pragmáticos e realistas.

Segurança

Duas horas da tarde, anteontem, a agência da Caixa Econômica da Mateus Leme foi assaltada de forma inusitada: estouraram o vidro da porta circular e deitaram e rolaram. O governo estadual pode estar associado com ela, mas não lhe dá muita segurança.

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