Unidade necessária
  Tanto a prefeitura da Capital como o governo estadual devem fazer o máximo pela convergência de interesses em relação aos congressos internacionais de março e que tratarão de biodiversidade e biossegurança. Nada justifica que tenhamos a reprodução daquele lamentável espetáculo que precedeu a Eco 92 quando o governo estadual procurou boicotar o evento regional, em função da imagem internacional de Curitiba, usando inclusive instalações da Biblioteca Pública para projetar vídeos negativos da urbe, como as suas favelas, muitas das quais feitas por invasores estimulados pelo PMDB. O objetivo era alcançar as delegações que estavam no Hotel Bourbon.
  Aliás é um momento adequado para o governador defender a sua postura pela interdição dos transgênicos. Não pega bem, porém, tentar negar a expressão de Curitiba em termos mundiais como teria feito diante do delegado argelino entusiasmado com a cidade. Curitiba é resultado, mais de seu povo do que eventualmente dos seus eventuais governantes, entre os quais seu pai, Walace e ele, Roberto, e também o seu antiparadigma Lerner, todos com alguma cota de contribuição à obra comum, porque até o que é negativo acaba dialeticamente incorporado ao processo civilizatório desse espaço brasileiro.
Babador
  O governador promete uma churrascada ao grupo técnico do exterior que vem ver o gado paranaense na Fazenda Cachoeira, a interditada pelo surto. Só falta agora um gaiato oferecer um babador a cada um dos convivas. Afinal não seria uma surpresa depois de a própria Secretaria da Agricultura ter criado o problema, como todos sabem, dando a notícia precipitada da ocorrência.
52 graus
  O Eugênio Stephanelo fazendo trabalhos de campo no Oeste e Sudoeste se espantou com o fato de um termômetro registrar 52 graus num campo de soja de Palotina. Ontem havia mais calma na região com os 40 mm de chuvas.
Itaipu
  Mexer na Itaipu não é fácil, blindada que está por um tratado internacional que vigora até 2023. O TC da União reconhece a contingência que exigiria a aprovação dos congressos dos dois países. Investigar é preciso.
Folclore
  O procurador de Justiça, Fiorillo, de família castrense, cultivava muito a amizade com o Esmaga, tipo popular de Curitiba, que ‘‘mordia’’ a cidade inteira. O doutor era sofisticado e volta e meia viajava a Europa para ver a temporada lírica e de lá mandava cartões para o Esmaga. Este dizia ser filho ‘‘aditivo’’ do promotor. Quando o corrigiam dizendo que era adotivo ele retrucava: ‘‘sou aditivo porque eu grudo e não largo!’’
Pioneiro
  O Doutor Rosinha se considera o pioneiro de iniciativas de recusar jeton. Essa era uma bandeira do PT antes de assumir o poder, como hoje sabemos na maior safra de corrupção da história brasileira. Mas aqui, respeite-se a precedência, quem primeiro batalhou nessa direção foi o Pedro Tonelli que, como dizia Anibal Khuri, valia mais do que as bancadas inteiras do PT que vieram a seguir.
Daltônicas
  Vai render o maior ‘‘rebu’’ nos meios literários da província e com certa repercussão nacional um texto de Dalton Trevisan em que caricatura três tipos de críticos e ensaístas que analisam a sua obra. Não será difícil identificar os alvos do vampiro. Sai na revista ‘‘Idéias’’ da próxima semana.
Gradualismo
  O gradualismo é o ritmo brasileiro. Foi assim dos governos gerais às capitanias donatárias, do Império à República, das ditaduras à democracia, da escravatura à abolição com as leis do Ventre Livre e do Sexagenário e da abertura de Geisel. Por que será diferente na queda dos juros?

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