LUIZ GERALDO MAZZA
Copel, ontem & hoje
Apesar dos supostos avanços institucionais Ministério Público vigilante, Tribunal de Contas mais atuante, ONGs e oposição fiscalizadora empresas como a Copel continuam a desfrutar hegemonias. No final dos anos cinquenta, Rubens Requião, acionista minoritário da empresa, denunciou que José Lupion, irmão do governador e presidente da estatal, se havia beneficiado pelo fato de as linhas de transmissão passarem por áreas de suas propriedades. O governador, embora o baixo impacto da questão (afinal tal decisão de projeto era de caráter técnico), destituiu o irmão do comando da empresa.
Hoje, por exemplo, o governo faz um estardalhaço, incompatível com as exatas dimensões da usina, a de Santa Clara, alvo de denúncias de irregularidades na transferência das ações da empresa Triunfo para a Copel com ágio superior a 120%. Para uma comparação singela: a usina da Elejor Centrais Elétricas do Rio Jordão SA tem um potencial de 150 MW que é um caso de nanismo perto de Salto Caxias (aquela que Requião dizia ter fissura incurável) com 1.240 MW, Foz do Areia 1.600 MW, Segredo 1.200.
Comparar Santa Clara, apesar do volume das denúncias, a qualquer das usinas de porte da Copel não tem cabimento e isso parece indicar que havia algum realismo, em termos estratégicos, na idéia de leiloá-la pelas restrições que o modelo energético apresenta e o bloqueio, este fundamental, a investimentos do BNDES em empresas estatais, decorrente do Consenso de Washington. Se vier um apagão, e é perfeitamente possível que isso ocorra, Santa Clara não fará milagres como aparentemente os anúncios indicam. Prestidigitar é preciso.
TC & Copel
Houve um tempo em que empresas de economia mista eram montadas justamente para um modelo alternativo e mais eficiente em relação ao fossilizado núcleo estatal tradicional. Uma das manhas era fugir de controles do TC estadual. Pois apesar das numerosas ocorrências como a acidentada licitação, desde o início, de Salto Segredo (a CR Almeida ficou em quarto lugar e apesar disso obteve a adjudicação da obra), ainda na fase de desvio do canal, tudo drenou para o Judiciário.
Um dos momentos de ''bronca'' cá entre nós, exagerada do TC foi por causa de um ritual de distribuição de mimos (relógios, alguns folheados a ouro) aos funcionários, conforme o tempo de serviço. Ora até a União Soviética, nos tempos em que estava equilibrada com os ''Esteites'', adotou a emulação de premiar heróis de produção. Os prêmios eram como os relógios copelianos, no sistema stakanovista de emulação capitalista.
Linha de montagem
A Copel padeceu sempre da soberba do seu porte e houve um tempo em que nas suas instalações é que os programas do futuro governo eram elaborados. Outra projeção era a de operar como linha de montagem dos recursos humanos nas secretarias e órgãos estratégicos. Lembro que no segundo governo Ney Braga um dos economistas do seu quadro, Edson Neves Guimarães, deu embalo excepcional à Secretaria da Fazenda.
Essa hegemonia também a levou a erros de cabo de esquadra como quando fez a projeção demográfica para o Censo do IBGE de 1980 indicando 10 milhões de habitantes, quando mal passou de 7 milhões e meio, que o Ipardes acertou quase na ''mosca''. Para se ter uma idéia da distância é preciso lembrar que até hoje não alcançamos aquele número. Como errou aí, também ''aprontou'' outras como o patrulheirismo que levou, no governo Richa, a demissão de alguns dos seus melhores quadros, reabilitados com uma vitória na Justiça trabalhista que custou R$ 30 milhões aos cofres públicos. Nem tudo que bolou tecnicamente foi bem e a badalação em torno de um projeto, ainda ao tempo de Parigot de Souza, é um desses exemplos claros: o da reversão do Rio Negro que deu mais luz nos papéis e pranchetas do que no cenário real.





