Pé no freio
A economia do Paraná tirou o pé do acelerador e cuidou da frenagem. Enquanto exibia saúde de vaca premiada (e sem risco de aftosa) o que garantia índices de crescimento era o agronegócio, como deixou claro o delegado do Trabalho, Geraldo Seratiuk, em sua polêmica diante do dirigente do Ipardes, a quem atribui o ''mico'' do governo Requião assinando o suposto meio milhão de empregos em Ponta Grossa, número que jamais existiu.
Se foi o agronegócio, ora agredido com a estiagem e o embargo das carnes por causa do foco de aftosa, o catapultador de tudo, temos a considerar que Requião deu pouca base de contribuição com o bloqueio dos transgênicos, os tumultos no porto e nas estradas pedagiadas e o apoio às invasões dos sem-terra.
Um dos absurdos na estatística de emprego está na multiplicação pelo fator 2,7 cada nova colocação, o que está muito distante da realidade para medir que parâmetros teria a economia subterrânea, informal e alternativa. O que não pode é uma instituição técnica embarcar nos delírios políticos do chefe de plantão e convenhamos que o Ipardes aí tem até uma boa história por ter feito uma razoável previsão do Censo Demográfico de 1980, enquanto se deferia tal papel à Copel e que chegara a 10 milhões, cifra não alcançada 25 anos depois.

Teatro
A população anda tão desconfiada dos políticos que olha com suspeita até os atos de doação dos salários parlamentares como oportunísticos e visando ganhar mídia. Os que o fazem sinceramente acabam pagando por esse juízo prévio, mas que se funda no ceticismo da população, pois até os que prometeram a doação não o fizeram e correm o risco do respectivo processo de quebra de decoro. Ontem o senador Alvaro Dias fez a doação ao ''Pequeno Cotolengo'' e bem no seu estilo chegou a convocar até uma entrevista coletiva. Outro que comunicou igual intenção foi o deputado petista Acir Miguel do Couto.

Intimidação
Se o governo estiver inconformado com uma decisão judicial ele tem todo o direito de reagir. O que não pode fazer é transformar em norma a denúncia ao corregedor do Judiciário de qualquer ato de juiz de primeiro grau que adotar em despachos e sentenças posições contrárias ao governo. O secretário Luis Delazari, da Segurança, adotou tal procedimento contra o juiz que o ameaçou de prisão em caso de desobediência no bloqueio à praça de pedágio que mandara desobstruir. Também algo nessa direção foi adotado junto à Corregedoria do Ministério Público para enquadrar o promotor Fuad Faraje, de Ponta Grossa. E agora temos pedido do DER, de idêntica natureza, contra a juíza de Vara da Fazenda Pública que entendeu não ser de sua competência o exame de matéria relativa ao pedágio que pleiteava redução de tarifas.
A hieraquia do Judiciário tem que olhar com muita cautela essas manobras para que não se derrube o princípio do ''livre convencimento'' que milita sempre em favor do julgador.

Simulação
Imagine-se esse pessoal de hoje com Atos Institucionais à mão.

Folclore
Se o Matthaus não der certo no Atlético Paranaense, tal como ocorreu com o Passarela no Corinthians, já tem uma piada pronta para ser dita a Mario Celso Petraglia: ''quem pariu Mateus que o embale''.

Autocrítica
Quando o governo emite boletins de balneabilidade mostrando que as praias estão poluídas ele se auto julga e severamente, pois obras de saneamento na infra-estrutura são de sua responsabilidade, via Sanepar.

Piso
Um grupo de 15 professores ganhou no STF o direito ao piso salarial de três mínimos, bandeira de luta abandonada pela APP, depois que foi revogada a indexação. A notícia reanimou o magistério.

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