LUIZ GERALDO MAZZA
Poder de cima e de baixo
Uma das mais importantes lições de Norberto Bobbio é aquela que aconselha a contrapor ao poder descendente, hierárquico-vertical, do governo e do sistema capitalista via particulares, o uso do poder ascendente. Quando o nosso Ministério Público age com destemor, nos casos de Ponta Grossa e Londrina, na inobservância de investimentos na área de saúde e da educação, atua em nome dos interesses difusos da sociedade.
É normal a tentativa de cooptar o que age com independência, afinal o governo também tem seu charme e sua sedução. Relevante é que haja resistência e se vier por via institucional ela irriga a democracia. Reeduca o poder.
Advertência
Na última carga do Ministério dos Transportes contra o governo, no caso dos portos delegados pela União, há nova lembrança da possibilidade de ruptura do convênio devido à desobediência sistemática. O diretor Paulo de Tarso Carneiro do departamento de Programas de Transportes Aquaviários adverte: ''A omissão do Ministério, no presente caso, pode ocasionar co-responsabilidade nos atos praticados pela Administração dos Portos de Paranaguá e Antonina - APPA.''
Prouni
Muitas queixas à eficácia do Prouni com exigências quanto ao desempenho escolar (notas elevadas) que anulam o benefício.
Denúncia vaga
O vereador Jorge Bernardi quer que o CADE (Conselho Administrativo de Defesa Econômica) examine a absorção da rede Mercadorama, do grupo Sonae, pela Wal-Mart. Até aí tudo bem porque isso deveria ser da rotina daquele órgão. Já a idéia de distribuir parte da rede adquirida a concorrentes menores é não ter a menor noção de compromissos contratuais e de um fenômeno comuníssimo na selva global como o das fusões e incorporações.
Capitães
É famosa a obra, uma das primeiras, de Jorge Amado ''Capitães de Areia''. Em mais na água do que na areia. Anteontem, só três pontos escaparam do veto.
Folclore
O escritor Kurt Mirow veio conceder entrevista sobre o seu livro denominado ''Ditadura dos Cartéis'' em Curitiba. José Carlos Martinez, dono da emissora, entendeu mal e disse que falar da ditadura dos quartéis em sua tevê soaria como provocação ao poder central. Não foi a primeira confusão entre as palavras, viriam outras.
O álcool
Já tivemos uma frota com mais de 80% dos veículos a álcool. As ondulações de política econômica impedem a continuidade, como se vê agora com o cerco em cima dos usineiros para que baixem a bola no caso dos combustíveis. A commoditie ''acúcar'' é mais forte do que o álcool combustível. Em 1997, para uma produção de 6 milhões e 375 mil toneladas de açúcar tivemos 117 mil toneladas de álcool e em 2000 para 6 milhões 502 mil toneladas de açúcar registramos 181 mil toneladas de álcool. E 2004, auge do agronegócio, chegamos a 15 milhões 764 mil toneladas de açúcar para 1 milhão 927 mil toneladas de álcool.
Contratos
Já houve mais cuidado com as nossas estatais: a Copel foi apanhada fazendo seguro com empresa inidônea, o mesmo ocorrendo com a Sanepar e o Porto. Um contrato com a Xerox é renovado sem licitação. Diz-se ''xerocado''.
Não bastasse isso tivemos os casos de aplicações no Banco Santos nos fundos de pensão das estatais. Austeridade absolutamente ausente.
Conflito
Pode o Judiciário estadual julgar o caso do pedágio e o outro lado suscitar conflito de jurisdição com a esfera federal. E a novela continua.
Embaraço
Se o Banco Itaú reverter a questão das contas estaduais como é que se vai consertar esse meio de campo tenso e agitado?





