LUIZ GERALDO MAZZA
Puxão de orelhas
O governo paranaense e a administração dos portos receberam mais um puxão de orelhas da União por causa da gestão temerária nos terminais em função de um expediente da Antaq, Agência de Transportes Aquaviários. Impropriedades apontadas: recusa em movimentar soja transgênica, deficiência de sinalização náutica e dos serviços de dragagem de manutenção, ausência de programa de reestruturação administrativa e organizacional, sua atuação direta na operação portuária, falta de programa de arrendamento de áreas e instalações, atraso na implantação das medidas do ISPS Code (segurança internacional); realização de investimentos com desvio de finalidade sem submetê-los à Antaq e recusa em prestar apoio técnico-administrativo ao Conselho da Autoridade Portuária.
Tudo isso, mais os estrilos do Tribunal de Contas da União e operadores, deve desaguar na audiência pública a ser procedida no Senado que pleiteia o retorno da gestão portuária ao governo federal. Como Requião cresce na adversidade, já se pode esperar a ''ideologização'' do tema no tom passional máximo.
Estranheza
O ponto de vista da Advocacia Geral da União é diverso do da Procuradoria Regional que declarou não haver interesse federal na disputa judicial sobre o pedágio. Até hoje, quase oito anos de demandas, a Justiça Federal tem sido, através da primeira instância, do Tribunal Regional e do STJ, tida como hábil para decidir. Vai continuar dando pano pra manga, mas o esperneio estadual ganhou alguma esperança com a hipótese de o feito ficar na esfera local. Mais capítulos da novela até as eleições.
Scanner
Ainda neste mês o porto de Itajaí inaugura o seu scanner que faz o raio-X dos contêineres. É feito da iniciativa privada enquanto o existente em Santos é decorrente de doação norte-americana. Nessa, ficamos a ''ver navios'' também.
A inauguração é 23 deste mês e traz a Itajaí dirigentes da Nuctech (chinesa) e da Port Security International (norte-americana).
Contêineres
Segundo a Associação Brasileira de Terminais de Containers (Abratec), em 2004 havia 3 milhões e 227 mil unidades no País. Já no ano passado a estimativa era de 3 milhões e 768 mil. O Paraná se ajustou à modernidade ao adotar terminal dos mais modernos da América Latina na gestão de Lerner, fator decisivo.
Bode expiatório
Um movimento de empresários, de cabeça mais estreita que o limite da orla, pretende atribuir ao Rasca Rodrigues, diretor do IAP, responsabilidade na eventual (até agora não registrada) queda de veranistas por causa dos boletins de balneabilidade. Uns chegam ao ponto de queixar-se que Santa Catarina age mais discretamente quanto à poluição e não faz estardalhaço. A modificação que Cheida, secretário do Meio Ambiente, pretende adotar é a de ampliar os pontos de coleta de amostras. Dá-lhe, Rasca; saúde do povo em primeiro lugar. Dejeto nem com embalagem sofisticada, de plástico multicolor, seduz.
Folclore
Juscelino Kubitschek é acordado em pleno vôo porque a aeronave enfrenta turbulências graves. JK, calmo, imperturbável, apenas troca de roupa, pois estava em trajes de dormir e argumenta: ''Na hipótese de um desastre não ficaria bem o presidente de pijama!''. Aliás pelo hábito de viajar em avião, e que não era sofisticado como o atual de Lula, Juscelino inspirou a música popular ''Passa, passa, avião// será ele ou não?//'' Como teve também a corrosiva de Juca Chaves sobre o porta-aviões. ''O Brasil vai à guerra// comprou porta-aviões'' e lá na frente rima com ladrões. Uma crítica à prodigalidade também daqueles tempos e que irritaram o FMI, para o qual JK deu as costas na maior esnobada.





