Interesse público

Desde que assumiu o governo pela segunda vez, o governador insiste em pregar o conceito de que inexiste direito adquirido contra o interesse público. Tenta aplicar, de forma generalizada, essa hermenêutica aos conflitos entre a visão do gestor passado e a dele. Aliás, Pol Pot e Stalin eram da mesma tese porque personificavam o ''direito'' e, a um só tempo, a nação e o interesse público.

Pode até vencer algumas das pendências, mas corre o risco de perdê-las como no caso da Usina de Gás de Araucária e nessa outra batalha com o Itáu, no que diz respeito às ações da Copel adjudicadas ao banco à conta dos títulos podres, matéria que Requião conhece bem como relator da CPI dos Precatórios. Ambas, acumuladas ou de per si, ''quebrariam'' a estatal, o que seria pior do que o abominável leilão, tentado por Lerner, que pelo menos capitalizaria a previdência pública e deixaria recursos para investimentos.

Como o que se tem como ''interesse público'' pode ser derrotado não se deve aureolá-lo com o fundamento religioso da certeza e da exatidão. Assim como o Porto não é estadual, mas federal e cedido, submisso à lei que o rege.


Dividida

Preocupado em defender Lula, mas sem magoar Requião, o delegado do Trabalho, Geraldo Seratiuk, irritou-se com o dirigente do Ipardes, que subestimou o peso do investimento privado e da União nos ganhos da economia paranaense. Imaginem se os números, que neste momento são negativos, fossem melhores.

De qualquer forma é bom que o governo federal mostre que está em todas. Como, por exemplo, nas 17 mil vagas da Refinaria de Araucária (a nova unidade de dessulfurização) porque, se bobear, o marketing estadual se apropria de tudo.


Sequestro

Durou quase dois meses o mais longo sequestro do Paraná: apenas uma parte da gangue foi presa e em São Paulo. Urge não esnobar como a polícia fez na gestão passada logo após a solução do caso de Marechal Cândido Rondon. Dizer-se invicta na especialidade, é esquecer a rotina do sequestro-relâmpago.


Miringuava

Há décadas a Sanepar programou a desapropriação de áreas na Colônia Murici, São José dos Pinhais, para reforço do abastecimento em reservações de água próximas da Bacia do Miringuava. Produtores de hortaliças da região não querem nem ouvir falar no assunto porque, além de muitos serem desapropriados a preço de banana, correm o risco da interdição de atividades que necessitam de defensivos químicos. Um desses produtores está há quatro anos em guerra contra a tentativa de desapropriação.


Folclore

No Passeio Público o desaparecimento de marmitas dos trabalhadores da área, em passado não muito distante, gerou até sindicância quando despertaram para o fato de que os autores do ''roubo'' eram macaquinhos do zôo. Daqueles que não olham, não falam e nem ouvem. E comiam as marmitas no alto das árvores.


Escolinha

O ''mãos limpas'' recomeçou ontem, mas a ''escolinha'' fica para dia 17. Já com novos secretários e sectários para não surpreender ninguém.


2 bi

Quando houver o encontro entre Lula e governadores sobre a recuperação das estradas, Requião vai mostrar que a União deve ao estado, por ferrovias e rodovias, mais de R$ 2 bilhões. Se outros forem no mesmo tom, a reunião ''mela''. A não ser que ''tigres'' virem ''tchutchucas'', o que não espantaria.



Estatística
Governo estadual festeja o fato de banhistas estarem mais cautelosos. Ocorre que só há, segundo o IAP, apenas cinco áreas liberadas para banho. Cautela mor é fugir mesmo da água comprometida. Afogamento em cloaca é muita humilhação.

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