Queda de braços
A intenção da União em querer partilhar com os estados-membros os dispêndios dos reparos em rodovias, tanto federais como estaduais, pelo jeito encontrará dificuldades incontornáveis na busca de consenso. Requião, em entrevista, lembrou que o Paraná desenvolveu inúmeras obras de responsabilidade federal e que jamais foi indenizado. Cita, entre elas, a Estrada de Ferro Central do Paraná, o ramal mais produtivo de todo o sistema sul e durante anos explorado pelo governo federal; a ligação da BR-376 entre São José-Garuva; o ramal ferroviário Guarapuava-Cascavel. E poderia ainda ter citado a BR-476, para nós a Rodovia do Xisto, que Ney Braga iniciou entre Araucária-São Mateus do Sul e Paulo Pimentel completou até União da Vitória.

Só da ferrovia entre Ponta Grossa-Apucarana a empreiteira CR Almeida tem o maior precatório dentre os débitos do governo. Requião se refere a uma dívida federal com o Paraná superior a R$ 5 bi. Como se vê, depois do encontro dos secretários de Transportes, que precederá a reunião de Lula com os governos estaduais, teremos um cabo-de-guerra entre a União e estados com alguns, como o nosso governador, cobrando dívidas históricas.


Oportunidade
Nessas ocasiões o pacto federativo é testado. Se é tempo eleitoral para o presidente e lhe convém mostrar um ativismo que contrasta com a catatonia anterior, o mesmo se dá com os governadores, muitos deles candidatos como é o caso de Requião. Aliás, no mesmo diapasão de Lula, pois vinha fazendo gestão de atitudes e não de obras, e múltiplos factóides como o da ruptura contratual, o do pedágio e do bloqueio xiita aos transgênicos sem base científica.
De qualquer forma, com todos os pecados do orgulho e da soberba, se chiar estará prestando serviço ao Paraná e à sua presença no quadro nacional.


Correção
Uma correção relevante na biografia de Vila Lobos: o repórter e escritor Toninho Vaz, que incursionou sobre Paulo Leminski e uma santa, descobriu que a primeira regência do maestro foi em Paranaguá, 1908, Teatro Santa Celina. Vila Lobos viveu dois anos na cidade litorânea, trabalhou na empresa Alberto Veiga e era companheiro do meu avô, Randolpho Veiga, em serestas. Lá em Morretes se dava com o patriarca Ghignone, avô do Fernando, secretário de Beto Richa.


O sábio
Está para sair ''O sábio de chuteiras'', livro de Carlos Alberto Pessôa, e que faz uma reflexão em torno de Adolfo Milman, o Russo, artilheiro do Fluminense, supervisor do escrete no período de João Saldanha e que andou por aqui no Atlético na gestão Aníbal Khury. Nelson Rodrigues é que o considerava um sábio militante das coisas do futebol.


Folclore
Já que falamos em conflitos federativos dá para lembrar do poema alegórico de Carlos Drummond de Andrade ''enquanto o poeta municipal discute com o poeta estadual, o poeta federal tira ouro do nariz''. Cabe como fábula para essas tensões que mostram a distância entre a federação que temos e a que queremos em que entes como estados e municípios brigam por mais participação.


Emprego
De janeiro a novembro deste ano tivemos só 94.205 empregos novos e em 2004, em igual período, cravamos 153.965 num bom momento do agronegócio. Dentro em pouco as tabulações fecham em dezembro e a queda será maior ainda dos que os 35% registrados. Nem Lula, nem Requião podem comemorar.

Água
Cobrar água é quase um consenso nacional. Pode virar mais um exercício de ideologia e de preconceito erigido em sistema por aqui.

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