LUIZ GERALDO MAZZA
Uma desvantagem
Temos uma desvantagem em relação a Santa Catarina e ao Rio Grande do Sul: lá há mais harmonia na ocupação do solo, módulo urbano e variedade econômica do que aqui, onde as mesorregiões metropolitana de Curitiba e a do norte central polarizada por Londrina desequilibram.
A de Curitiba detém 45,9% de participação no valor adicionado fiscal de todo o Paraná, enquanto a do Setentrião aparece com 14,3% à frente do Oeste (13,8%) configurando, de forma destacada, os centros principais. O desemprego é maior em Curitiba com 14,7% e o ônus ainda da taxa e crescimento populacional de 3,13% ao ano. Proporcionalmente não é pequeno o desemprego (12,4%) ao Norte e de 12,8% no Oeste. Urbanização é de 91% em Curitiba, de 88,4% ao Norte e de 81,6% no Oeste.
Esse mosaico é definidor das compensações e ônus da polarização.
Contradição
Governo vive alegando a defesa do porto público e estatal. No entanto são visíveis manobras para beneficiar grupo privado na Ponta do Poço em Pontal do Paraná. Até no Plano Diretor (imaginem aquele casos ter regulação) de Pontal já estaria definido o terminal. Aliás, a maior parte do que é produtivo nos portos é de natureza privada, menos a confusão, essa de origem pública.
Mais emulação
Precisamos manter o hábito da emulação, uma de caráter logístico em relação a todo o Sul, onde estamos na ''lanterna''. Outra para apurar o que há de federal e estadual nas ações internas. Em Pontal do Paraná o complexo voltado para a produção novamente de plataformas da Petrobras é de parceria federal com consorciadas privadas como já houve com a Tenenge. É feito da União como o da unidade de dessulfurização da Repar que vai gerar 17 mil empregos. Se sair a aliança PMDB-PT, que não é impossível, pois a força da fisiologia é maior do que a da ideologia, podem fazar as festas juntos. Mata-tiro-tirorô, tudo em liturgia de dança de roda.
Razão
Numa das broncas de Requião ele não deixa de ter razão: a que visa aumentar a participação de empresas locais, nacionais ou de fora na malha produtiva da indústria automotiva. Outra, dispensado o exagero oratorial das bravatas, a de conseguir algo com o Itaú, beneficiado por cláusulas absurdas.
Irracionais, de um modo geral, rupturas contratuais que vão bater na trave como pedágio, usina de gás de Araucária e as bobeiras portuárias.
Suavização
A decisão de Lula de conceder ao Paraná R$ 82 milhões decorrentes das perdas da Lei Kandir (o acumulado é superior a R$ 2 bi) vem num momento bom para o caixa estadual, depois do desencaixe de dezembro (13º e antecipação do mês). Assim mesmo todo cuidado é pouco e o governo, apesar das eleições, se verá obrigado a driblar o reajuste de delegados de polícia e procuradores, talvez concedendo algo como abono para o pessoal da ativa.
Absurdo
A morte do ex-presidente do Clube Curitibano e ex-dirigente do Banestado, Nicolau Abage, em consequência de acidente com um ciclista numa canaleta exclusiva dos coletivos é prova de que tudo o que se dá na circulação em Curitiba tem que ser rigorosamente revisto. Que via exclusiva é essa tomada por ciclistas, ''esqueitistas'', patinadores e motoristas particulares?
Folclore
Espiridião Ferez, presidente da Federação de Futebol, não conseguia ocultar a sua torcida pelo Atlético Paranaense e num jogo no Couto Pereira irritou-se tanto que lançou seu guarda-chuva na direção de um ''bandeirinha''. Depois choveu e ele, desesperado, pedia ao gandula que você buscar o guarda-chuva que estava enterrado na grama como se fosse um dardo em prova de atletismo.





