LUIZ GERALDO MAZZA
Nó fiscal
O Paraná, segundo a Secretaria do Tesouro Nacional (Execução Orçamentária dos estados), não está lá essas coisas. De 2001 a 2004 sua capacidade média de investimento foi de R$ 802,288 milhões. Para 2006 teremos R$ 1,2 bi, menos do que a de 2005, enquanto em juros e amortizações despenderemos quase R$ 2 bi, um cenário mais conservador do que o de Palocci. O Paraná investiu 10,4% da sua receita corrente líquida e 10,1% no pagamento de dívidas. Situação mais dramática é a do Rio Grande do Sul que gasta 32% da receita para pagar aposentadorias e pensões. Seguem Minas (26,4%), São Paulo (20,9), Santa Catarina (20,6%). Aí o Paraná, o que não é pouco, gasta 15,1%.
É o gigante flácido e impotente do aparato estatal, envolto na autofagia de deglutir suas enormes receitas em despesas de custeio. Saída é driblar receitas indexadas em cotas constitucionais como as de Educação e Saúde, o que também é feito por aqui sem cerimônia. Por isso o MP patrulha.
Estoque
Segundo o Dieese, estamos com 600 mil desempregados: houve queda, conforme Cid Cordeiro, tanto de empregos formais como dos informais.
Sequestro
Um caso de sequestro em Curitiba, que teria se deslocado para São Paulo, está sem solução há mais de dois meses. Talvez o mais longo da história recente. O Paraná, desde aquele episódio de Marechal Cândido Rondon, quando a gangue foi executada no governo Lerner, vinha neutralizando todas essas ações criminosas, menos a dos ''relâmpagos'' hoje transformados em rotina.
Escatológico
Na última revista ''Idéias'' entre os balanços políticos há um do jornalista Eduardo Schneider. Faz decalque do filme ''O ano que vivemos em Perigo'', de Peter Weir, sobre a crise brasileira: ''o ano que vivemos em penico''.
Pesquisas
Quem tem mais credibilidade como instituto de pesquisa: o DataBrain ou o DataFolha? Claro que é esse que deu 83% de aprovação ao pedágio. Tudo depende da pergunta: qual a estrada melhor, a pedagiada ou a abandonada? É por essa e outras que esse setor, o das pesquisas, precisava de algum monitoramento que poderia ser feito pelos órgãos de controle do exercício profissional tanto de sociólogos como de estatísticos. Em forma de autogestão como na propaganda.
Folclore
''Estoy acá por mi mala cabeza. Mi padre es general, mi tio haciendero, mi hermano embajador.'' Esta era, de uma forma geral, a apresentação das gringas que invadiram a noite curitibana nas boates nos anos 40 e 50. Fábio Campana conta na ''Idéias'' o alvoroço provocado pelo dia em que prefeitos vinham à Capital para receber a cota do artigo 20 do Imposto de Vendas e Consignações. ''Morocha, llegó el artigo veinte'' era a senha para o esforço coletivo de seduzir a prefeitada. Por isso que os saudosistas consideram a chamada Lei de Responsabilidade Fiscal, antes de tudo, castradora.
Apelido
O ex-deputado Acir Mezzadri, líder do Murb, tem o apelido de Zorro, mas se continuar engordando se transforma em Sargento Garcia. O Tonto serve para muitos na construção da dupla mítica. Promete novidades para fevereiro.
Hedonismo
Vivemos uma era de hedonismo, visível no consumismo e no descarte de coisas e valores, cada vez mais iguais. Experiência das 33 horas sequenciais dos shoppings foi sucesso que deve repetir-se. Dá para incluir no conjunto de eventos e completar o cenário para a festa figurar em calendário nacional. Hedonismo é culto do prazer. Com Epicuro ''pela prática da virtude.''





