LUIZ GERALDO MAZZA
Cartorialismo resistente
Embora o governador do Paraná se constitua numa das mais fortes expressões nacionais dos que defendem o retorno do Estado Provedor é curioso que coloque essa unidade federativa, como uma das poucas do Brasil, que resiste à tese da oficialização dos cartórios.
A Ordem dos Advogados do Brasil, apesar da sua condenação tradicional aos aumentos da tabela de custas judiciais, não se mostra nem um pouco motivada e empolgada para o exercício dessa tarefa que em outras seccionais se transformou em uma prioridade estratégica.
É verdade que muitos dos seus aliados são serventuários da Justiça e nessa condição agentes do sistema, razão pela qual não facilitam qualquer tentativa nessa direção. Não deixa, todavia, de ser um contraste merecedor de análise.
Emulação
Tenho sugerido que o Paraná se valha de uma emulação em cima de indicadores sociais e econômicos com seus vizinhos (RS e SC) para apurar se cresce ou esvazia. Além das perdas que temos em PIB per capita, expectativa de vida e escolaridade levamos a pior em dados científicos com a existência de mais centros de excelência (engenharia industrial e mecânica) universitários em Santa Catarina e o baile que estamos sofrendo na questão dos portos. Itajaí é o segundo porto do Brasil a contar com um ''scanner'' que radiografando os contêineres como se fosse um tomógrafo libera mais rapidamente as mercadorias no trabalho da Receita Federal. Operações que levavam 72 a 96 horas para a fiscalização caíram para 15 minutos. Agora em matéria de ''criar caso'' somos seguramente ''fora de concurso''. O que está levando a Antaq a agir de novo, enquanto se aguarda a audiência pública no Senado sobre a volta à União.
Bento
O centenário de Munhoz da Rocha foi tema de dois livros e de mais outro, este do Luís Roberto Soares. Neste mês a ''Paraná em Páginas'' trata do assunto e republica a extensa carta de Bento a Ney, seu ex-apadrinhado, declarando a ruptura. Nela Munhoz diz ''você trai à medida que respira''. Vejam a ironia: o jornal, que a publicou era da família Franco Ferreira da Costa, e seria a adesão de um deles, o deputado federal Plínio, como vice de Paulo Pimentel que decidiria a eleição.
Mitificações
Cultores das manifestações de rua costumam superdimensionar sua importância e criar a fantasia de que resolvem todas as paradas. Boa parte dos que lutam contra o pedágio estavam nas trincheiras da defesa da Copel e botaram na cuca que a estatal não foi vendida por sua resistência quando, na verdade, quem o impediu foi o próprio mercado que rejeitou o leilão em função do apagão e do ataque às torres geminadas. Ademais a lei que impedia a venda foi derrotada sob o comando do atual presidente Hermas Brandão. Agora o movimento tenta se atribuir um feito que não lhe pertence: a decisão judicial que suspende a cobrança do pedágio na ligação Araucária-Lapa.
Folclore
Só para dar um exemplo didático da eficácia dessas ações de rua como na passeata dos Cem Mil (dizem que o Vernon Walters, chefe da CIA, estava no meio, versão essa dos militares pró 1964), comício das reformas que afinal foi um dos detonadores do golpe, temos o episódio de 1961, na crise da renúncia de Jânio, que gerou o movimento pela posse de Jango. Quem o dirigiu nacionalmente foi Leonel Brizola, governador gaúcho, com a ''Cadeia da Legalidade'' e em Curitiba o ator mais importante, o prefeito Iberê de Mattos, general da reserva, que chegou a armar voluntários para a resistência. Meses depois houve um pleito e Iberê, candidato a deputado estadual pelo PTB, ficou na oitava suplência. Nada valeu o frisson psicossocial que mobilizou mentes e corações.





