Um pouco de molho
Até o governador, ontem na ''escolinha'', estava surpreendentemente soft e elegante, de terno e gravata, e mais ameno, quando muitos esperavam uma de suas explosões contra a revista ''Exame'' por causa do mais recente piche.
Parecia despreocupado e como não estava esporte, em jeans como gosta, não lembrava o Chávez e pela postura sóbria e quase aristocrática ficava distante do Severino Cavalcanti com quem foi comparado pela revista semanal.
Quem deu o pontapé inicial no humor foi o presidente da Itaipu, Samek, na primeira audição da ''escolinha'' federal, que ele e o homem da DRT, Geraldo Seratiuk, criaram para divulgar obras da União no Paraná com o que, ao mesmo tempo, respondem às provocações de Requião de que Lula, que o elegeu, é omisso em relação à nossa província. Com a sua cancha agronômica e da lida com patos e galinhas, Samek disse que a União não age como a galinha, pois não sai a cacarejar à cada ovo, com o que sugeriu que o governador se apropria dos feitos do governo federal. Por exemplo: feitos da macroeconomia não podem ser atribuídos ao Estado a não ser em perspectiva complementar.
Houve quem lembrasse das criações da bossa nova que falavam do pato como aquele clássico em termos onomatopaicos em que acabam se juntando perto da lagoa ele e mais o marreco, o ganso e o cisne todos emitindo o cuém-cuém. Feitas as clássicas diferenciações entre a galinha e os outros bichos me lembrei de uma carnavalesca e que depois servia de animação na pré-escola: ''vou cantar pra você a dança do ganso// cuém-cuém// que danço e não canso// cuém-cuém// estica o pescoço// pra frente, pra frente// pra frente// pra trás// cuém cuém// e o ganso faz cuém-cuém, cuém-cuém''.
Seria ótimo se a política fosse exercida assim com o gosto pelo pitoresco, o efabulístico, e não com vinagre e vitríolo. Como a memória associativa age nessas horas lembrei de outra ''a galinha botou um ovo azul// o fato causou sensação// o galo não foi na conversa// no dia seguinte matou o pavão''. Esses bichinhos não foram educados na Rede Globo, daí a vindita violenta e, aí sim, nada humorada e pouco moderna.

OUTDOOR
A prefeitura de Curitiba está numa guerra contra outdoors irregulares. É bem interessante que vá fixando regras agora para que amanhã, na campanha eleitoral, não venha a ser acusada de parcialidade. A Capital tem cerca de 1.400 pontos de exposição, mas quando a fiscalização afrouxa esse número dobra tranquilamente.
Essa mídia já foi monopólio de um grande empreendedor, Aristides Mehri, dono do Palácio Avenida e da Rodofer (os cartazes eram dela na estrada de rodagem ou na de ferro) e fundador de ''O Estado do Paraná''.

Porto
Segundo a APPA, o movimento em Paranaguá, este ano, foi de 3% a mais do que 2.004 em soja em grão, 7% a mais em farelo, e 3% a mais em óleo vegetal.

Folclore
Requião vive dizendo que sua padroeira é Nossa Senhora Desatadora de Nós. Só que a oposição, incluindo aí o PT, acha que ele ao tentar desatar obtém efeito contrário o nó cego. É o anverso de Alexandre, o Grande que decepou à espada o Nó Górdio. Pretende-se instituir o troféu do nó cego, idéia do PT, do setor menos fisiológico, não governista.

Equívocos
Cada povo tem o doutrinador possível: ontem quem fez esse papel foi o Orlando Pessuti ao abordar os pontos de divergência e convergência do seu governo. E veio com a matraca do neoliberalismo. País que tem 41% do PIB em tributos pode ser tudo menos neoliberal. País que tem Petrobras, Banco do Brasil, Infraero, Caixa Econômica é tudo, menos neoliberal. O Estado Provedor acabou como o Muro de Berlim. O que não significa que devamos cultuar o Estado minimalista ou ausente. Precisamos, porém, repudiar o Estado onipresente, já sepultado.

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