LUIZ GERALDO MAZZA
Ligações perigosas
Um dos temas preferidos do governador Roberto Requião contra seus adversários reais e imaginários é falar nas ''ligações perigosas'' como afirmava existir entre o cartel dos transportes coletivos e o poder municipal, aí alinhados a prefeitura e vereadores. Para ele obviamente não há ligações perigosas entre o poder estadual e o MST ou esse tal de MURB (o dos usuários das rodovias) quando lhes dá respaldo logístico em suas atuações pela omissão da PM ou de qualquer dos setores da Segurança.
Como essas ''organizações'' atuam à vontade no Brasil e favorecidas também pelo formalismo protelatório das decisões judiciais, percebe-se a existência de um culto organizado à infringência da lei. Isso é visível no grau de ''distanciamento'' das autoridades para o que ocorre no mundo real na forma como o secretário de Segurança, Luis Fernando Delazeri, se referiu ao pedido de sua prisão pelo juiz da 3 Vara Cível de Ponta Grossa, Francisco Carlos Jorge, por não haver cumprido a ordem de desocupação da praça de pedágio submetida que estava a um interdito proibitório.
O que um conceito de civilidade institucional obrigaria a ver na ação desse poder paralelo, que só não se iguala a Ku-Klux-Klan por agir às claras e dispensar o sinistro capuz, passa para o beneficiário a constituir-se no aliado indispensável para um estilo de agir e fazer política. Historicamente deu resultados na Alemanha, Itália, Espanha e Portugal e também em países do leste europeu ao tempo do ''socialismo realmente existente''. A truculência e o fanatismo são componentes indisfarçáveis e o mais curioso é que agindo como linha auxiliar do governo tentam dar um caráter ''revolucionário'' à sua atuação, o que torna isso mais risível como se estivessem empenhados na prática do ''gramscismo'' para reivindicar uma tonalidade à esquerda. Fascismo de direita ou esquerda é a mesma substância, embora o mimetismo.
Curitiba, o teste
O triunfalismo que marca um estilo de projetar Curitiba (lançador nacional de novidades culturais, urbanísticas e publicitárias) é seguidamente posto à prova quando da divulgação de estatísticas e indicadores brasileiros. Com a publicação do ''ranking'' do Fundo das Nações Unidas de 2004 para a Infância deu para percebê-lo: caímos de 0,749 para 0,746. Evoluiu em dois itens nos índices de gestantes com mais de seis consultas pré-natais de 65,7% para 79,8% e caiu o número de pais com escolaridade baixa. Numa direção oposta a taxa de crianças com menos de 1 ano caiu de 100 para 91,6% e o de crianças matriculadas em pré-escola baixou de 41,5% para 32,3%.
O referencial é ainda ao da gestão municipal anterior, mas deveria preocupar atuais dirigentes pela circunstância de ao longo das últimas administrações o marketing oficial ter mantido o maior carnaval em cima do tema. Também no que se refere ao Paraná, embora desfrutando de posição intermediária, em sétimo, logo abaixo do Rio Grande do Sul: há ao lado das 44 cidades com Índice de Desenvolvimento Infantil elevado temos 20 com taxas reveladoras de bolsões de extrema carência. Os piores indicadores estão em Laranjal, Goioxim, Cândido de Abreu, Marquinho e Rio Branco do Ivaí. Curitiba aparece em 116% lugar no Paraná, em consequência óbvia da migração intensa e da periferia metropolitana, dado revelador de que nem sempre a boa doutrina (o governo atual apostou muito na superação dos números do IDH como opção para o planejamento) é suficiente para remover os dados negativos da conjuntura.
Folclore
Liberalino Estevam, poeta populírico, era agente duplo vendendo quadrinhas em campanhas eleitorais. Na de 1965 sacou ''Não assopre contra o vento// que o vento não tem lei//seja Bento cem por cento// mil por cento contra o Ney.'' E repicou ''Nessa era tão moderna//e de tanta confusão// Paraná não se governa// com uma garrafa na mão//. Era a injuriosa onda criada por políticos de que Bento bebia, o que não era verdadeiro.





