LUIZ GERALDO MAZZA
Falta de indignação
Paulo Francis dizia que se o presidente norte-americano fizesse o que a Zélia aprontou no Brasil com a poupança seria morto pelos próprios seguranças. No raciocínio irônico do irreverente jornalista um sinal de inconformismo com a apatia brasileira que está aí à mostra nos escândalos do lulismo.
Quando se percebe a ousadia dos abusos com os fundos de pensão percebe-se que os primeiros que deveriam ''chiar'', aposentados e pensionistas, não o fazem, como se a Providência Divina, lá na frente, tudo acertasse. O pior é que fica nítida a permeabilidade dessas instituições à inspiração política. O Paraná não ficou fora da patologia como se viu nos casos da Copel e da Sanepar nas aplicações desastrosas no Banco Santos.
Não vimos qualquer movimento dos prejudicados no esforço de denúncia. Até agora detectamos a parte visível do ''iceberg'', que detém as dimensões de um continente. O mais grave é que os tidos como de ''esquerda'' não percebem que os fundos de pensão representam uma alternativa moderna de criação da poupança interna e do chamado capitalismo popular, e que poderiam constituir-se num dos fundamentos para reduzir a nossa dependência e preservar interesses nacionais na dinâmica do mercado interno.
Há algo como um embotamento insensibilizando a sociedade, um horror.
Definição
A ''escolinha'', como o mundo, era redonda, mas está ficando chata.
Metáfora
Ao falar com bombeiros, Requião justificou que, às vezes, o caminho melhor é o de ser incendiário e queria referir-se ao pedágio e contratos do governo anterior como o do Banco Itaú. Tudo bem: e se lá na frente perder as batalhas judiciais não terá se queimado como um Giordano Bruno e muito menos como a santa guerreira, Joana D'Arc, na condição de mártir, e sim de vítima de acidente de percurso. Vítimas maiores serão os contribuintes de um modo geral.
Glosa
Bombeiro é uma coisa, bambeiro outra. Bombeiro é herói prévio, permanente.
Mistério
O Ministério Público Federal enquadra governo paranaense, o anterior, e a ''Caminhos do Paraná'' pela concessão de um trecho pedagiado (Araucária-Lapa) sem licitação. A denúncia deveria alcançar a gestão atual que foi quem autorizou a cobrança do pedágio e fez o acordo de redução das tarifas, mais tarde descumprido e que levou a concessionária a uma vitória na justiça.
Demissões
No caso das demissões de professores e funcionários o governo está certo. Tiveram chances em concursos com até 35 mil vagas e não passaram. Bem mais fácil do que vestiba. Se a APP vencesse, estudantes não aprovados do vestiba teriam o direito de invadir universidades e exigir vagas.
Folclore
Prova de Parasitologia: o mestre Milton Carneiro ouve o único aluno que está ruim na turma e lhe mostra uma borboleta que o rapaz diz ser do gênero ''borboletáceo''. Terminada a prova, alegria geral com todos aprovados, Milton se aproxima do aluno a um canto e o cumprimenta e depois diz, entre amável e severo, como quem faz uma grave confissão ''borboletáceo é a pqp''.
Mínimo
Novamente em debate o mínimo: o governo quer dar o máximo de R$ 350 e as centrais sindicais pedem R$ 400. Prefeituras e empresários acham muito; trabalhadores acham pouco e o governo, como sempre, acha graça.





