Haja sutileza
Ninguém sabia que um homem, até certo ponto rústico, se dedicasse a sutilezas na esgrima verbal: um outdoor do presidente do Legislativo, o deputado Hermas Brandão, sugere que o Paraná precisa ser levado a sério. É uma forma tortuosa, oblíqua, de dizer que não somos, com o governo que temos, olhados com um mínimo de seriedade. Como é sabido que uma das ambições do parlamentar é ficar com a vaga de senador, portanto numa eleição majoritária, seu discurso, no caso a frase, deve ser olhado como uma declaração de princípios.
É o lado Bernard Shaw do político de Andirá.

Brigadas
Há a brigada do braço armado da Al Fatah no Oriente, a dos mártires da Al Aqsa. Aqui nós temos a dos ''mártires do D.A.S.''.

Espionagem
Tanto a ação da ABCR com seu anúncio cifrado como a reunião ''secreta'' dos combatentes do pedágio lembram espião com crachá. Molière está na moda, o das ''preciosas ridículas''.

Trapalhões
Tanto o governo federal como o estadual agem como trapalhões nessa questão da febre aftosa. Não há firmeza na convicção, muito menos na contestação.

Digitais
Aquela pesquisa sobre o pedágio, e depois o anúncio das invasões, embora possa não haver nexo de causalidade físico-subjetiva entre elas, parecem deixar a marca digital de um velho estilo conspiratório em uso aqui há 20 anos.

Demagogia
Manda o princípio republicano que haja concurso para serviço público. A pasta da Educação abriu os concursos e os celetistas, que agora reclamam desemprego, não passaram. Nessa o governo está certo até porque cumpre decisão judicial, o que nem sempre faz, se pode transformar essa resistência em mais uma causa.

Turismo
Anteontem, Foz do Iguaçu marcou o primeiro milhão de turistas deste ano. Fato relevantíssimo, mas como contraponto há a circunstância de que a cidade tem proporcionalmente mais homicídios que a Baixada Fluminense. Isso iguala o risco do turismo com o Rio de Janeiro. Alega o secretário de Segurança que em Foz o que acontece é o extermínio autofágico de bandidos. O que, se assim for submete, a cidade a uma depuração dos delinquentes num darwinismo pra ninguém botar defeito. Para efeito estatístico, ''elemento'' e gente é a mesma coisa.

Folclore
Maurício Requião, secretário de Educação, chamou os professores que invadiram a pasta de ''chupa cabras''. Frases isoladas podem ter efeitos desastrosos como aquela de FHC que tratou aposentados como ''vagabundos''. Normalmente o governo é que joga politicamente com dramas e desníveis sociais para impor-se como uma espécie de ''justiceiro''. Ficar no outro lado é desconfortável. E aí para a ''apelação'' é um passo.

Perseguição
Agora é a Assembléia Legislativa que pega no pé do promotor Fuad Farage porque falou que existem ''picaretas'' na casa. Lula, hoje presidente, disse que havia 300 ''picaretas'' no Congresso Nacional e ninguém botou a carapuça.
O promotor, numa carta, acabou tranquilizando os deputados que temiam tê-lo como concorrente e não se referiu a todos ou a maioria como ''picaretas''.

Subserviência
Em 64, no golpe, havia a dualidade a combater corrupção e subversão. Se houvesse uma revolução para limpar o Brasil era necessário, antes de tudo, combater a subserviência. Lista de cassação lembraria a telefônica.

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