Nossos bons indicadores
Os governos, de um modo geral, e isso não é pecado exclusivo de Requião, tentam faturar, como feitos seus, indicadores estatísticos. Tanto governos que pouco fazem como os realizadores (Lupion, Munhoz da Rocha, Ney Braga, Canet) sempre se valeram do artifício. Dava impressão no caso de Ney Braga, em função das realizações, que o Paraná tivera com ele o primeiro dia da criação. Como, aliás, fez Requião ao colocar como logomarca a posição da constelação do cruzeiro do sul no dia de sua posse, referência oblíqua, mas sugestiva, ao que estava escrito nas estrelas. Se isso não é, embora a boa concepção artística, culto demasiado à personalidade, não há o que dizer.

O Paraná, embora o menos graduado em indicadores sociais e econômicos do Sul, sempre desfrutou de posições boas em relação às médias nacionais e ao confronto com as unidades desenvolvidas. Volta e meia os marqueteiros (que são mais importantes, na perspectiva dos oportunistas e politiqueiros, do que os quadros técnicos e científicos) sacam ''teasers'' triunfalistas como aquele de Lupion (O Paraná Maior), o de Munhoz (Construindo para o futuro), o de Ney (Somos todos uma só força), o de Pimentel (Paraná, segundo Estado do Brasil), o de Requião (O Brasil que está dando certo).

Quando aconselho mais do que o monitoramento dos indicadores para criar uma atmosfera emulativa, de competição e analogia, faço a convocação mais do corpo técnico do que dos alquimistas da comunicação, embora esses tenham um papel destacado na formulação de uma ''idéia-força'', de um esforço de mobilização para a superação. Governos que jogam mais com saques publicitários, a rigor, lembram esses alegres artistas de rua que se divertem com bolhas de sabão, multicoloridas, que não deixam também de lembrar uma utopia, ainda que de desvanescimento rápido, menos fugaz que o voar de uma borboleta.


Continuidade educadora
A recente publicação do IBGE sobre expectativa de vida mostrou que nós, os paranaenses, ganhamos mais 9 anos e 2 meses de existência ao longo dos últimos 24 anos. Também teve ainda nesse período o maior percentual de queda da região Sul em mortalidade infantil. Ora essa constatação leva à conclusão lógica de que esses feitos se devem ao conjunto da sociedade e não a um ou outro patriarca inspirado como os do Antigo Testamento. O Brasil inteiro tem melhorado como se viu ainda na Pesquisa Nacional por Amostra Domiciliar e por três anos consecutivos no concernente à redução dos desníveis sociais, o que pode significar um ciclo de crescimento sustentável.

É impossível fazer esse tipo de reflexão sem lembrar da pregação de Munhoz da Rocha em torno da continuidade das ações de governo. Depois de Ney Braga houve um ciclo sequencial de obras de infra-estrutura e cuja perda de ritmo só vai se dar com o desmanche do aparato público sob Lerner, desolação visível no empenho teórico de Requião em imaginar o impossível, a restauração do Estado

Provedor.
A ciência estatística serve para aquietar os inquietos que acreditam em rupturas revolucionárias que gerariam novos paradigmas. Está, no entanto, no ritmo homeopático desses ganhos o fundamento para tentar as mudanças que não passam de especulações quiméricas. Nosso imediatismo não se conforma com esses ajustes de longo prazo, o que incendeia o discurso demagógico.

Essa preocupação alimenta o culto das panacéias, aqui já examinado, e que ora se traduzem em nova Constituinte, em queda de juros, em autarcizar a economia e torná-la mais ''nacional'' e do mercado interno, ou em aventuras rocambolescas como a de romper com o FMI e virar as costas à Alca e ver no personagem bufo da Venezuela, o Chávez, como a expressão da resistência.

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