LUIZ GERALDO MAZZA
Nada belicoso
Enquanto dirigentes empresariais davam os costumeiros piches no governo Lula, o governador Roberto Requião, que normalmente é o mais contundente na crítica, se mostrava protocolar e respeitoso. O melhor foi o de estar presente a uma promoção de um complexo de comunicação que sempre o ataca e de forma veemente.
Não era visivelmente o Requião cotidiano, especialmente o da ''escolinha''. Foi bom pra ele e para o Paraná. A bengalada no Zé Dirceu já deu mais presença à nossa gente do que a apatia militante que nos caracteriza. E o pacifismo de Requião, próximo do de Ghandi, foi demais. Ademais há a certeza de que dentro em pouco tudo volta à normalidade, tensa e convulsiva.
Aposentados
Das demandas de Requião junto a Lula a principal se referia a nos conceder o direito de não cobrar os aposentados, o que estaria bloqueando os repasses de natureza federal. Houve sinalizações de acerto. A hipótese de transferir à União encargos do pedágio, segundo o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, seria possível.
Com isso a bandeira do ''baixa ou acaba'' seria deletada. Não é bem assim: toda a oposição tem o direito de lembrar do compromisso de honra da campanha eleitoral e que pode e deve fazer parte do temário da reeleição. Tirar do ar a promessa é fuga, não solução.
O decênio
Estudos mais técnicos sobre a próxima década, embora não tão participativos como o Fórum que Lula veio encerrar, são feitos como rotina no Ipardes. Às vezes, até embolorados e esquecidos pela cúpula, mas estão lá. Os governos, há muito tempo, preferem a ligeireza do marketing do que a ciência, essa os deixa desolados, entediados, depressivos.
Folclore
O deputado Rafael Greca fazia um dos seus caudalosos discursos e citava Santo Agostinho quando a presidência da Mesa cortou o seu discurso para informar que só tinha um minuto para concluir. Greca reagiu, como se o ''cortado'' tivesse sido o santo e não ele, o deputado.
Fristão
Quando o escritor paranaense, Yves Hublet, 67 anos, ao aplicar as bengaladas em Zé Dirceu, chamou-o aos gritos de Fristão, mostrou seu nível de conhecimentos literários e da obra de Cervantes. É a maneira como ele vê a figura do personagem meio feiticeiro que aparece nos devaneios oníricos de Dom Quixote. Zé Dirceu gostaria, embora a arrogância atrapalhe, de ser comparado ao cavaleiro que encarava moinhos de vento, tudo apoiado nessa biografia forçada, e hoje em plena desmistificação, de ''guerrilheiro''. Para muitos é também o Frustrão porque a trajetória de ''comissário do povo'' foi cassada pela justiça poética.
Chefia
Uma paraguaia assumiu a chefia dos conferentes no Porto de Paranaguá em lugar de um técnico que estava no posto há muito tempo. Qualquer fato dá zum zum.
Despolitizar
Animados com a presença do senador Osmar Dias na TV Educativa, e agora também do Hermas Brandão, há gente defendendo cobertura das sessões do Legislativo. É justamente na direção oposta à politização que deve agir uma TV pública e quanto menos envolvida em promoções pessoais, ou de grupos, melhor. A propósito: alguém já viu os indicadores de audiência para torná-la tão requisitada?
Meridionais
Insisto na tese que o Paraná deve usar Santa Catarina e Rio Grande do Sul como referenciais para apurar o seu desenvolvimento. Apanhamos em expectativa de vida, por exemplo: catarinas com 74,5 estão em segundo no Brasil e gaúchos com 74,2 aparecem em terceiro. Paraná é sexto com 73,2. Minha validade já está vencida.





