LUIZ GERALDO MAZZA
Desejável e possível
Normalmente os políticos tentam reduzir o fosso que separa o ''possível'', a realidade concreta, do ''desejável'', a utopia do horizonte mais próximo e o fazem com a maior tranquilidade como se dava com Paulo Pimentel em 1966, quando sugeria que seríamos o segundo Estado do Brasil quando não o conseguimos, até hoje, nem no Sul. Em tempos recentes, Jaime Lerner falava em ter criado 900 mil empregos o que era quase o estoque disponível de mão-de-obra formal e dizia, com ênfase, que havia retirado 90 mil crianças das ruas paranaenses quando continuamos aparecendo com destaque, e isso é característica da região Sul, na estatística de crianças no mercado de trabalho.
Embora tente aparentar ser o antiparadigma de Lerner, Requião é um cultor dos números robustos. Em 30 de setembro de 2004, a pretexto de marcar aquele que seria o trabalhador 500 mil em Ponta Grossa, montou uma solenidade na assinatura de um contrato de trabalho e pouco depois não deixou por menos e sugeriu, em institucionais, que lá por dezembro daquele ano, o Paraná alcançara 700 mil empregos novos. Agora o IBGE, via o Programa Nacional de Amostra Domiciliar, somou vagas formais e informais e fechou com 311 mil empregos, o que é um número robusto, mas que não chega à metade do sugerido pelo governador e sua equipe. Normalmente o Dieese, que é independente, embora vinculado ao mundo do trabalho, vive contestando, com bastante frequência, o triunfalismo chapa branca.
No regime militar, que dispunha pelo crescimento da economia a quase 10% do PIB ao ano, eram comuns os exageros tanto para decantar feitos como para a arte de ocultar números negativos como a censura que se impôs contra um surto de meningite que alcançara várias regiões do país.
Reitoria
A reeleição do Carlos Moreira para Reitor da Universidade Federal está sendo contestada e documentalmente: palavras de ordem ao público interno, voltadas para o pleito, fazem parte do material levantado. Moreira tenta sugerir que a oposição exercita o ''jus sperneandi''.
Pessoalmente, acho abominável o populismo e o assembleísmo na Universidade. Não creio que haja similitude de comportamento com universidades de países civilizados. Nem a pesquisa escapa da contaminação demagógica.
Lembro do geneticista soviético Trofin Lysenko, uma figura mediana da área, que o time da propaganda e da nomenklatura comunistas apontava como aquele que superara a genética ''burguesa'' do padre Mendel.
Emprego
Houve recentemente uma contestação do Dieese sobre mercado de trabalho aqui no Paraná: no ano passado, até outubro, haviam sido gerados 138.209 empregos contra 95.703 de 2004. O censo fechou, em 2004, com 184 mil empregos formais contra 127 mil informais. Número robusto: 311 mil vagas.
Folclore
Padre Haneiko foi a um congresso em Foz do Iguaçu e aproveitou para ir até Ciudad del Este para umas compras. Na aduana um inspetor quis brincar: ''o senhor comprou só isso ou leva mais embaixo da batina?'' Falando baixo, quase cúmplice, o deputado-padre retrucou: ''O que eu tenho aqui embaixo é dessas moças. Você quer ver?'' A cena está no livro de Pedro Washington a ser lançado hoje, 17 horas, na Assembléia Legislativa.
Coxa
Piada sobre o drama do Coxa é mania da moda. Até na história dos doleiros ela aparece: um sujeito liga para um turquinho e quer saber se os ''verdes'' caíram de novo e o rapaz reage: ''até nessas horas vocês gozam o Coritiba!'' Em telefone grampeado o código do futebol até pode despistar.





