LUIZ GERALDO MAZZA
A ilha imaginária
A insistência com que o governador Roberto Requião tenta fazer do Paraná uma ''ilha'' em relação ao resto do País vai além da ''ociosidade nervosa'' e desprovida de criação da sua gestão. Como se possível fosse romper o pacto federativo, quando tenta com leis estaduais derrogar aquelas que prevalecem sobre todo o território nacional, anuncia a incrível ''armata brancaleone'' do ''eixo do bem'', oposto ao do ''mal'' de Bush, formado pela Venezuela do Chávez (cada povo tem o herói e salvador que merece), o Uruguai e a Argentina.
Enquanto há retórica, os ianques, muito práticos, já estão com uma base militar no Chaco, com o que deram ao Paraguai um poder de barganha de que não dispunha em tratativas sobre o Mercosul e na logística junto aos vizinhos. O Uruguai e a Argentina certamente não foram consultados e muito menos o Itamaraty para esse dique geopolítico anunciado.
Na missão dita comercial que esteve na Venezuela, ainda que possa dar frutos na economia, o ponto alto foi a prova de que o Paraná já exportou o primeiro produto, genuinamente seu, a Caracas: o calor confessional da ''escolinha'', mostrada, como é indispensável, pela TV Educativa.
De construções imaginárias fiquemos com a do Santo Tomas Morus, uma das utopias da Renascença, ao lado da ''Cidade de Ouro'' de Campanela, e a ''Nova Atlântida'' de Francis Bacon, que poderia até ser concebida no cenário singelo da Ilha das Cobras, residência de verão do nosso governador.
Link
Quando o governador estava na França houve a tentativa frustrada de linkar a sua participação na TV Educativa, fazendo a sua preleção para a ''escolinha'' diretamente do centro das luzes. Agora, depois de muita dificuldade, deu para mostrar, ao vivo e em cores, o espetáculo venezuelano.
PPS
Enquanto o senador Osmar Dias demora para assumir a condição de candidato e de oposição, quem tenta sair à frente é Rubens Bueno que confia muito na convenção do próximo fim de semana no PPS. Segundo sua assessoria ganha com folga, nas pesquisas, em Curitiba. Para prefeito cravou 20% na Capital. Vai ser duro, porém, assimilar o bom mocismo do candidato. Diferenciado do que? O pior é o mesmo discurso. Principalmente depois do eticismo lulesco.
Metáforas
Por falar em Lula cada vez aparecem frases caricaturando o presidente. Uma das mais recentes foi do ex-chefe da Receita Federal, Osiris Lopes Filho, que se referiu ao governo Lulábia da Silva. Quando das primeiras denúncias dos chunchos anteriores e recentes do PT alguém trocou o Lulalá por Lulalau.
Folclore
Outra do Maneco Facão. Foi inaugurar um bebedouro de animais em Castro. Pegou um copo d'água e apanhou a linfa fresca e esbravejou ''está inaugurado!'' Há quem diga que Getúlio Vargas fazia piadas sobre si mesmo ou as encomendava aos intelectuais que gravitavam em torno do Palácio do Catete. Já as de Benedito Valadares, pintado como ignorante, quando era apenas rústico, são piramidais como aquela em que aparece com um terçol e lhe perguntam do que se trata. Ele responde ''terçol no olho''. Alguém o corrige ''terçol no olho é pleonasmo'' e o Benedito replica ''não é pleonasmo, é terçol mesmo e no olho''.
Agito
Agora a repetição enfadonha da novela do pedágio: o Departamento de Estradas de Rodagem contesta os números das concessionárias e tenta ganhar tempo com a querela na instância administrativa, daí o ritual recomenda ida à Justiça e pregações na ''escolinha''. Nunca se descarta a hipótese da reprise das invasões selvagens às praças de pedágio. Enfim pedágio continua adágio.





