LUIZ GERALDO MAZZA
O João Bobo
O Paraná está fazendo o papel de ''João Bobo'' diante do Ministério da Agricultura. Primeiramente submete o Estado ao constrangimento de uma demora inaceitável para os resultados dos exames sobre aftosa, e, em seguida, após admitir que não houve comprovação de casos positivos, sugere, por via oficial, que façamos o papel de ''laranja'' admitindo que o surto está por aqui. Na sequência, novamente por via oficial, isso depois da denúncia pública daquela tentativa de cooptação e a indignação que provocou, afirma que as amostras paranaenses eram ''limpas'', suspeitas de fajutice.
Se o governador estivesse na terra, ouviríamos discursos violentos, já aquecidos por aquela turbulência em torno dos transgênicos, xingando o ministro Roberto Rodrigues a quem acusou de estar a serviço da multinacional Monsanto.
Ficamos livres da tempestade verbal, mas tivemos, uma vez mais demonstrada a nossa falta de credibilidade nesse desrespeito sistêmico, institucional.
Regra três
Como faz falta um regra-três no governo: o Paraná leva pau de tudo que é lado e dá a impressão que a equipe espatifa sorvetes na testa a sugerir que ao menos está fazendo alguma coisa. Nem Jerry Lewis bolaria esse esquete.
Perdas
Levantamento recente do IBGE mostra o óbvio: o Paraná está perdendo peso relativo, em termos econômicos e sociais, face ao sul do país. Em indicadores sociais uma lavada (escolaridade, expectativa de vida, IDH, Índice de Desenvolvimento Humano) e agora em PIB per capita, atrás dos gaúchos e também dos catarinenses. Em pose e triunfalismo, factóides e bravatas, somos, porém, imbatíveis. Fora de concurso. Aliás, desde Lerner isso acontecia e uma pessoa séria (Miguel Salomão, secretário de Planejamento) afirmava que o Paraná passaria o Rio Grande do Sul, ainda naquele período, em renda interna. Não aconteceu. Pelo menos até agora.
Especialidade
Uma das críticas à Sanepar quanto ao aproveitamento do ''karst'' é a de que a empresa não domina a tecnologia, daí a razão de suspender a exploração diante do sumiço de água dos tanques e os desabamentos superficiais. O pior é que há grande número de empresas explorando água mineral na região. A água ali é alcalino-terrosa-magnesiana. Como se percebe, o Paraná nos anos 1950 tinha visão mais integrada dos problemas. Dá para imaginar os riscos que cercam a exploração do Aquífero Guarani, inclusive ante o risco de a mais importante reserva de água subterrânea ser contaminada pelos agrotóxicos ou sofrer ainda exploração predatória por estâncias termais, gerando deseconomia.
Folclore
Manoel Ribas cuida das flores do jardim do Palácio São Francisco. Encontra alguém à espera do ''presidente'' e ele puxa conversa com o homem simples, dando-lhe corda. O cara diz que invadiram suas terras e que ele quer justiça. Como o reivindicante não sabia com quem falava promete que se não for atendido manda o presidente a PQP. Fica na espera e lá pelas 10 horas o chamam. O homem que ele pensou ser um jardineiro era o presidente. Aí segue o ritual e Ribas lhe pede que narre o seu caso. Vem o repeteco e daí Maneco Facão pergunta: ''e se eu não o atender?''. Resposta: ''aí fica bem como nós combinamos lá no jardim''. Dizem que o governador atendeu, depois de algumas gargalhadas. Não dá para comparar Manoel Ribas com imitadores e covers de fancaria.
Bandeira
Várias agências do Banco do Brasil funcionam hoje, Dia da Bandeira, para regularizar cadastros de servidores estaduais. Quem pensava que a transferência do Banco Itaú seria fácil se enganou. E faltam 11 dias para o ''pay day'', dia de pagamento. Ou pei-dei, como diria a turma do Casseta e Planeta, para manter o estilo escatológico. Vantagem do BB: juros baixos e os cadastros observarão os limites de crédito para cheque especial e cartões.





