LUIZ GERALDO MAZZA
Vale ser temido
Uma das afirmações de Maquiavel mais testadas aqui no Paraná é aquela que preceitua ser mais vantajoso ser temido do que amado. A intimidação é a regra predominante, como se vê em tudo no aparato dos ''grampos'' telefônicos, no uso da TV pública para ameaçar adversários reais e imaginários, nas bravatas do pedágio e das rescisões contratuais, no uso imoderado da polícia para assustar empreiteiras.
Para um governo sem obras, sem qualquer realização, marcado pelo varejo de medidas assistencialistas como a do leite das crianças, cuja evidência de superfaturamento já havia sido denunciada pelo procurador Luis Henrique Bona Turra, coincidentemente demitido com quebra de todas as normas de Direito Administrativo, tentar o caminho alternativo da gestão à base de atitudes é aceitável desde que se insiram num contexto mínimo de respeito à lei. Não dá para comparar com governantes que souberam fazer uso da intimidação de uma forma pedagógica, tal qual se deu com Ney Braga.
Ney aplicou duas regras do maquiavelismo com eficiência: ser temido e também ser amado. Por haver encontrado, segundo se propalava, uma situação de caos do segundo governo Lupion, fez uma demissão em massa de funcionários nomeados na undécima hora. Foram dezenas de milhares com o que punha em funcionamento um dos ensinamentos do florentino: faça o mal de uma vez e o bem aos poucos. Foi o que aconteceu. Depois das demissões, vieram as readmissões e que davam clara impressão de generosidade. Teve que fazer acordos com partidos de oposição porque não tinha apoio parlamentar suficiente para a revolução que deflagraria. Tudo com elegância, sem prensa e sentido de reciprocidade. Um detalhe: é evidente que o percentual de semvergonhice era bem menor naqueles tempos não tão pragmáticos, distantes de delúbios.
O Paraná hoje é pior em muitos aspectos do que regiões enfeudadas do Norte e Nordeste.
Democracia
Pelo menos hoje será um dia republicano e democrático sem a ''escolinha''.
Versão
Marcada para quinta-feira, 17, reunião para explicar o leite derramado na Secretaria da Agricultura. Operação abafa não baixa diferença de preços.
Folclore
Há pessoas que tentam ser mártires à força. Acreditam-se próximos do alferes Tiradentes quando ficam mais simétricos a Joana D'Arc. Quando Lula se refere, e com indisfarçável ponta de emoção, ao ''nosso'' Delúbio gera o equívoco. Delúbio pode ser um soldado da ''causa''. Não da brasileira. Meter a mão é uma forma enlouquecida de luta política ou de ''guerrilha''.
Documento
A resposta do PT às provocações de Requião foi elegante e contida porque seus dirigentes sabem que o confronto é o ecossistema, o plancton do governador. Quem se aprofundar no exame do investimento federal no Paraná pode chegar à conclusão de que o estado-membro aqui inexiste, pois não há obras a não ser o reparo nas estradas, uma vez que o total investido aqui desde 2003 é de R$ 28 bilhões, segundo o relatório.
Novela
Para fechar o ano mais um acontecimento sazonal: a resistência do governo em atender o aumento do pedágio com as sequelas judiciais conhecidas e no final a vitória das empreiteiras. Azar de quem vai às praias e se vale da BR-277. Mais ruído do que resultado, a promessa do ''baixa ou acaba'' fica sendo o Natal prometido e seguidamente adiado. Não é só Papai Noel que está de saco cheio.





