A emulação educativa

Animados pelo desempenho revolucionário do governo Ney Braga em volume de obras de infra-estrutura e sinais claros de mudança na economia, marqueteiros de Paulo Pimentel, que vencera a eleição de 1965, tentaram definir uma idéia-força para dar um salto ainda maior à frente e sugeriram o ''teaser'' de Paraná, segundo Estado do Brasil. Era uma utopia (e não há parâmetros para isso) e válida para ser projetada no horizonte como medida de auto-superação.
O governo de Pimentel foi no mesmo diapasão de euforia e triunfalismo que não dá para comparar com os que se seguiram à primeira vitória da oposição, ainda no regime militar, marcados, à exceção de Richa, por uma linha de mediocridade não contornada com a atuação de Lerner que pelo menos tinha um projeto, o que hoje inexiste por maior boa vontade que se tenha em relação ao governo. Uma empresa jornalística do Paraná faz mais por um mínimo de visão estratégica ao imaginar o próximo decênio do que tudo o que já se viu na atual gestão em termos pelo menos de estudos, programas, doutrina e filosofia.

Vice-rei

Assim, no pico do crescimento, respeitada a hegemonia de São Paulo, pudemos imaginar que ficássemos em segundo lugar no ''ranking''. Obviamente era um exagero e críticos da época diziam que só não imaginávamos o primeiro lugar porque o nosso governador era do interior de São Paulo. Claramente, com o passar do tempo, deu para captar que poderíamos ter sido mais discretos colocando essa emulação no Sul do Brasil, já que aqui as dificuldades de figurar em segundo lugar eram notórias, pois perdíamos do Rio Grande do Sul e em termos proporcionais também de Santa Catarina.
De lá para cá ameaçamos seriamente desbancar o Rio Grande do Sul e na onda marqueteira da primeira gestão de Lerner era comum a previsão triunfalista do secretário de Planejamento, Miguel Salomão, de que ultrapassaríamos o Rio Grande do Sul. E a pregação foi tão forte que a revista gaúcha ''Amanhã'', e que opera bem com estatísticas intrarregionais, chegou a admiti-lo. Todavia isso não se confirmou. Continuamos em quinto lugar em renda interna do país, avançamos em alguns pontos e recuamos em outros.

Valor agregado

Embora o Paraná tenha uma economia mais robusta do que a dos catarinenses levamos um ''baile'' em valor agregado pela tradição industrial de ponta hoje representada pela Weg, a Cônsul, a Tigre, a Tupy e tantas outras, a maior parte delas com presença em todo o mundo. E a tendência, até por falta de projetos e medidas sérias e articuladas que atraiam investimentos, é perdermos cada vez mais posição relativa.
Quanto a indicadores de IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) tomamos outra ''tunda'' dos nossos irmãos do sul, catarinenses e gaúchos: expectativa de vida, mortalidade geral e infantil, escolaridade e PIB per capita. E isso é altamente perturbador para quem sempre esteve, por causa dos governos, numa imersão ufanística e esse choque de realidade é traumático, pois não há sinais de qualquer projeto e estratégia que nos favoreça.

Cooperação e seriedade

Já alertei, por mais de uma vez, que os catarinenses, embora o nível de articulação entre empresariado e poder público se trave numa linha de cooperação e sobretudo de respeito, o que aqui não acontece, vide as inúmeras ''trombadas'' que marcam essa relação, têm uma estratégia e uma logística, o que se percebe na questão dos portos e nas relações com o governo federal que faz investimentos apreciáveis em São Francisco do Sul (até agosto 5,3 milhões de toneladas), Itajaí (3,7 milhões de toneladas só no primeiro semestre e o de maior ganho no país em valor agregado), Imbituba, Itapoá, Navegantes. Até navios de turismo eles recebem. Aqui, nem pensar.
Enfim, está aí, em pinceladas rápidas, uma reflexão para a chamada emulação adequada e não fantasiosa como aquela de 1966 do ''Aqui se trabalha'', tão copiado do fascismo italiano como a nossa Consolidação Trabalhista.

mockup