Derrota programada
O ato violentíssimo da demissão do procurador Luis Henrique Bonaturra, que não guarda proporcionalidade com a eventual falha do servidor, alegada por uma comissão de inquérito, deve ser revertido na Justiça. Até aqui, Bonaturra tem impedido que a Associação dos Procuradores se manifeste, o que em nada o ajudou. Essas anomalias, tanto a das denúncias do procurador como a fúria dos que se empenharam em detoná-lo, têm uma serventia: testam pessoas e também as instituições. A oposição natimorta, embora surpresa, vai rever as denúncias de Bonaturra para reciclá-las e retomá-las, entre elas o superfaturamento no programa do leite.

Analogia
Só existe uma estatística mais mórbida do que a dos educandários do Padre Roque (sete mortos) que é a da fila das UTIs do Claudio Xavier.

Parcerias 1
Vários governos estaduais se ajustam para as PPP (Parcerias Público Privadas) e voltadas em maioria para a construção de rodovias, obviamente via pedágio. Mas o deputado Nereu Moura, para agradar ideologicamente Requião, apresentou projeto proibindo tal tipo de concessão. Como o DER não existe e nem tem os mínimos recursos para operar na área e não há dinheiro no governo está criado um ''buraco negro'' que não é aquele asfalto da Petrobras.

Parcerias 2
Outra desatenção é essa parceria entre Copel e Eletrosul, hoje privatizada, para tocar três usinas do Paraná. O BNDES só dá grana para o setor privado. Na melhor das hipóteses, nesse consórcio, a nossa empresa seria minoritária.

Aos poucos
Em doses homeopáticas dá para perceber que a passagem das contas do Itaú para o Banco do Brasil não é tão simples. São centenas de milhares de novos clientes que deverão fazer os seus respectivos cadastros. O BB não tem, ao que se saiba, a capilaridade exigida para a demanda. O primeiro recuo foi deixar as contas dos aposentados e pensionistas no Itaú. E há ainda a hipótese de haver recurso judicial, que se for vitorioso, é mais um no histórico das responsabilidades transferidas. Como se deu com Alvaro Dias que brigou com a CR Almeida e tocou a seu jeito a Usina de Segredo e, mais tarde, a viúva teve que desembolsar R$ 90 milhões em acordo extrajudicial para evitar a facada maior. Se o pagamento atrasar, o que não é impossível, vai chatear.

Folclore
Num salão de barbearia um dos hierarcas do governo estadual conversava com um vereador que explicava porque tinha mudado de partido e que tinha como sigla o PTB e não era aquele de Getúlio Vargas. Explicou que era P de pedágio, T de transgênico e B de bingo, a trindade santíssima da política do governador.

Beijaço
O ''não beijo'' da novela ''América'' entre os gays, por força da censura, acabou dando, além da audiência frustrada, maior rolo do que se tivesse sido incluído no folhetim eletrônico. Até em Curitiba a rapaziada se soltou em ''selinhos'' e beijaços. É um saco a sociedade do espetáculo.

Memória
Quando da cassação de Requião pelo TRE, o primeiro a dar-lhe solidariedade foi justamente o seu colega do Rio Grande do Sul, Alceu Colares, do PDT. Isso criou uma ''saia justa'' para o prefeito Jaime Lerner, também do mesmo partido e que estivera contra Requião na campanha daquele ano. Agora o Colares, como deputado federal, desanca Osmar Dias, líder do seu partido no Senado, e diz que Requião pode ser presidente da República ou governador reeleito. Risonha e franca (embora nem tanto), a ''escolinha'' é siderurgia de bravatas.

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