LUIZ GERALDO MAZZA
A avalanche
Além das greves já havidas e outras no disparo, o governo estadual vai entrar num período de turbulência com grupos funcionais. Várias categorias ganharam na Justiça o direito a reajuste como o mais recente dos procuradores em 116%.
Delegados de polícia, por suas duas entidades, associação e sindicato, estiveram reunidos com o governador que passou a bola para os secretários da Administração, Maria Marta, e do Planejamento, Reinhold Stephanes. Há ainda o pleito da Polícia Civil (35%), já comprometido, e empurrado com a barriga.
Servidores do quadro geral, que só foram beneficiados na gestão Lerner, estão na expectativa, pois o último aumento foi o concedido para o pessoal de nível universitário. Também a Polícia Militar tem reivindicações que são bloqueadas em função da hierarquia vertical, mas que afloram a qualquer momento. A PM não quer saber mais de mobilizações, como a havida na administração anterior, com as esposas que geraram muito sofrimento na relação entre componentes da mesma corporação, apesar do aparente êxito na operação.
Servidores querem o aumento já, mas isso seria impossível ante o impacto que haverá nas folhas de pagamento com o 13º. É a avalanche em marcha que se espraiará por todo o ano eleitoral de 2006.
Matemágica
Requião costuma dizer que criou 500 mil empregos. Mais modesto do que Lerner que falava em 900 mil, esquecendo que tecnologia de ponta, como a das empresas automotivas, poupa mão-de-obra. Governos, de um modo geral, se apropriam de números que nem sempre lhes dizem respeito e mais até no caso de indicadores macroeconômicos devidos a fatores que fogem ao domínio das gestões locais.
Dado importantíssimo, revelado pelo Dieese, que não participa desses jogos olímpicos do imaginário, mostra que até setembro tivemos menos 31% de empregos em relação a igual período do ano passado: 138.209 contra 95.703.
Troca letra
Repórter da Rádio Globo-CBN: ''na meiúca'' (meio campo, meia cancha) ''temos a rapidade e habilidez do meia Caio''. Só perde daquele que trocou o slogan da cerveja patrocinadora ''em barrafa ou garril é a melhor''. Óbvio que desejava referir-se à garrafa e ao barril.
Folclore
Vai para o trono o vereador Padre Paulo, do PT, que deseja trocar a expressão ''aluno'' por ''educando'' em documentos oficiais. Perde daquela do Jorge Bernardi, PDT, que pretendia nominar ''gari'' de agente ecológico. E há a do Mario Celso Cunha, PSDB, que deseja negar alvará a clínicas que clonem seres humanos. Se se evitasse a clonagem de vereadores seria um avanço.
Tarifas
O setor em que reina a maior demagogia é o do transporte coletivo. Começa com o prefeito Beto Richa e sua prestidigitação de subsidiar a tarifa, o que há muito não ocorria. Passa pelos estudantes com essa crônica do pula-catraca e do passe livre que ignora que inexiste serviço gratuito, já que a sociedade o paga, direta ou indiretamente. E chega nos vereadores que a cada momento inventam uma nova faixa etária ou grupo funcional para não pagar. Depois ainda perguntam por que a tarifa é tão alta. A rapaziada invadiu a Urbs, depredou a repartição e ainda se queixou dos croques eventuais. É a pré-história.
Audiência
Os portos são uma das causas da perda de cargas em relação aos catarinas e das demissões em massa ocorridas e que continuarão. A audiência pública do Senado foi adiada ''sine die''. Saine dei, como dizia o vereador colonizado.





