LUIZ GERALDO MAZZA
Opção pela atitude
Como não tem obras a cadastrar, o governo Requião optou por uma gestão de ''atitudes''. E vale-se especialmente da ''escolinha'' para acumular energia e manter o clima. Esse esforço lembra de certa forma esses encontros estudantis que transformam seus encontros e assembléias em ''aparelhos'' onde tomam resoluções contra o imperialismo e os ''States'' que provavelmente tiram o sono do presidente Bush.
E a cada derrota, como as recentes havidas nos casos da Ferroeste e do pedágio (e assim provavelmente ocorrerá com as da El Paso, da Renault, do Banco Itaú, do grupo Dominó), mais se torna veemente e num ambiente em que inexiste espaço para o contraditório e aquele mínimo de advertências sobre os riscos do caminho adotado. Assim será até o fim da atual gestão, de vez em quando reanimada com um ganho transitório de alguma batalha.
Outra linha de argumento é a de valer-se dos indicadores sociais e econômicos quase sempre satisfatórios do desempenho paranaense pouco atribuíveis ao poder público regional e muito mais a fatores nacionais.
Moribundo
''O Brasil está na UTI e tenta salvar-se lendo bula de remédio''. Uma das frases de Lerner nas suas entrevistas de ontem.
Pressão
Estamos no ciclo das reivindicações funcionais. Depois da greve do pessoal da Agricultura, do Meio Ambiente, da Fundepar teremos hoje na assembléia dos procuradores de Estado a avaliação do caminho a tomar depois que a categoria obteve vitória no Tribunal de Justiça quanto ao direito de indenização por reajuste anual. O encontro dos procuradores será na sede do Conselho Regional de Medicina do Paraná.
Como o orçamento é duro e 2006 um ano eleitoral dá para imaginar o que virá pela frente. O Estado é autofágico, já que não detém um mínimo de capacidade de investimento, reduzido a pouco mais de R$ 1,2 bilhão quando só em juros da dívida e amortização despenderá, conforme a Lei de Meios, R$ 1,9 bilhão.
Folclore
Em Curitiba lá pelos anos 40-50 era comum conjugar o verbo aniversariar na voz passiva. Nas colunas e registros sociais as pessoas aniversariavam-se. Numa tarde o jornalista Protásio de Carvalho recebeu uma nota para divulgar acompanhada de um bilhete do seu dileto amigo Abdo Aref Kudri encarecendo que ela saísse com os elogios e tudo o mais. A notícia saiu na edição seguinte com o ''post scriptum''. Uma espécie de metalinguagem.
Gripe
Até agora não há qualquer de perturbação nos negócios com carne de frango no Paraná em decorrência da gripe aviária e seus efeitos psicológicos no mercado internacional. Em setembro houve maior exportação do que agosto e chegou a 59 mil toneladas com US$ 101 milhões.
Polichinelo
O governo paranaense anunciou uma ação contra a União e o Banco Central pleiteando indenização de mais de R$ 3 bilhões em função de alegadas distorções no processo de venda do Banestado para o Banco Itaú. Afirma tratar-se de procedimento em ''segredo de justiça'', mas alardeado como mais um feito da administração. Trata-se, portanto, de um caso de segredo de Polichinelo.
Dispersão
Não bastasse o referendo de domingo, que lembra um caso de ociosidade nervosa diante dos problemas morais e institucionais que o Brasil enfrenta, que não deixa de operar como um fator diversionista, agora só falta a banda de música do governo Lula colocar o caso das arbitragens do futebol no ''rolo'' das CPIs como elemento de dispersão. Mais um pouco e Lula recupera, apesar de tudo, os números do Ibope anteriores à safra das denúncias e aí a oposição se verá obrigada a fazer um ato de purgação de culpas.





