Strip-tease
Instituições públicas, normalmente bem protegidas até da indiscrição dos meios de comunicação, só parecem efetivamente desmistificadas quando submetidas a um ''strip-tease'' como se deu no Paraná com o Banestado. Só um solavanco forte como o da CC-5 poderia fazê-lo e com efeitos inimagináveis, pois a sua rotina, marcada por escândalos, ainda que pontuais, se mostrava preservada até pela condição de cliente especial da mídia.
Mesmo em situações como a do governo Paulo Pimentel, em que toda a diretoria pediu demissão, alegando que a administração pretendia favorecer empresa familiar em detrimento do estabelecimento. No governo Lupion, o segundo, na gestão tumultuária de Lamounier quando se acusou a aceitação de terras litigiosas como pagamento de débitos e assim por diante. Na gestão transitória de Mario Pereira, que sucedeu Requião, houve aquela acusação de que em nome de um dono de carrinho de cachorro-quente eram feitas operações diárias de US$ 1 milhão no braço paraguaio do estabelecimento. E na de Lerner, entre tantas e outras que estão para ser apuradas, tivemos um festival variado como o da Leasing até a questão do leilão e seus aspectos tenebrosos que talvez algum dia se tornem mais nítidos.
O doleiro Alberto Youssef voltou a afirmar que dava propina de US$ 7 mil a diretores do ''banco de nossa terra'', semanalmente, para facilitar a sua transa com remessa de dólares via CC-5. E é preciso, daqui para diante, se é que há interesse em desvendá-lo, saber quem levava esses ''beliscos''. De repente um varão de Plutarco aparece na parada. Prova, também, que tanto a CPI nacional quanto a estadual mal viram a parte visível do iceberg.

Tensão
Hoje tem reunião do Conselho da Autoridade Portuária. Em foco as demissões de trabalhadores em função da perda de cargas. Fala-se até em 500 desempregados. Naturalmente haverá apreciação também sobre editais de licitação para granéis sólidos e líquidos que não foram precedidos de licença ambiental e de órgãos como a Agência Nacional de Petróleo. Por sinal que de todas as questões relativas ao porto houve um esquecimento imperdoável: o terminal paraguaio.

Procura-se
O sistema de recompensa, com origem no velho oeste americano, volta com toda força. É a consciência que o Estado tem da sua incapacidade para enfrentar a segurança. Se pagar como pagou o recolhimento das armas haverá chio. Entre os fundamentos desse pródigo e ocioso referendo há esse argumento: desarmar as pessoas, enquanto pouco se faz com os bandidos.

Basbaquice
Esse movimento para que Foz do Iguaçu passe a chamar-se Iguassu é outra ociosidade nervosa de quem não tem o que fazer. Se formos adequar tudo aos imperativos da Internet é o caso de mandar um ''abrasso'' para o autor de tão notável idéia e alterar todos os toponímicos com cedilha.

Folclore
Um dos saques geniais do Cícero Catani no ''Correio de Notícias'' foi a manchete ''O futuro de Requião a Sepúlveda pertence'', à época em que se examinava a cassação do governador paranaense pelo TRE. Naquele caso acabou emplacando, mas não no de Zé Dirceu de ontem, embora o relator tenha votado com mais um ministro em favor do ''ex-premier'' de Lula. Nada disso impediu que se tentasse manobra na Câmara Federal, já enunciada no pedido de vista, para dar tempo e chance do homem que não encabulou de ser guerrilheiro, mas dele não se pode dizer o mesmo como ministro, ainda que seja absolvido. O aspecto positivo do ministro Sepúlveda Pertence foi o de ter evitado uma decisão monocrática e convocar o colegiado: 6 a 2, uma goleada e tanto.

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