Batalha final
A confiança do governo estadual na ação intentada pela assessoria jurídica do DER era de tal ordem aquela que tentaria rediscutir o equilíbrio financeiro dos contratos das concessionárias de rodovias sob a alegação de lucros exasperados apurados nos balanços que se constituiria num cronograma que devolveria o tema à campanha eleitoral e com amplas possibilidades de chegar perto do pleito com a redução drástica das tarifas. Só que o que era anunciado como ''bomba'' não passava de um ''traque baiano'' com a queda do pedido de tutela antecipada, que era fundamental para o avanço, na Justiça Federal na semana passada.
Como todas as tentativas deram em nada, embora cercadas sempre por uma ''aura'' justiceira e de vitória, o último cartucho seria a tal apuração de delitos pelo Nurce, Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos, seguindo mais ou menos o roteiro da ação exercida contra a Associação Paranaense de Empreiteiros, Apeop, com a reprise da encenação das prisões. Por sinal que apesar do alarido, e da vastíssima divulgação, até agora não foi oferecida denúncia com acolhimento da Justiça naquele caso.
O pior é que o governo não mostra unidade nessa luta. Tanto que há clara dissenção entre a Procuradoria Geral do Estado, que tem o maior grupo de mestres e doutores em várias especialidades do Direito do que qualquer outra dependência pública do Paraná, nacional ou local, e a atuação dos advogados do escritório se ocupa da demanda.

Ilha
O governador gosta de ilha. Tanto que curte a das Cobras, como fazia Ney Braga. Mas a Ilha do Mel não é um bom cartão de visitas do seu governo e das suas preocupações com a ecologia. Ali se percebe o sucateamento da Copel com seu posteamento de madeira em situação precaríssima, ameaçando, em alguns casos, desabar sobre as casas.

Ainda o poeta
Outra frase de Augusto dos Anjos aplicável ao relacionamento governo e mídia: ''a mão que afaga é a mesma que apedreja''. No Paraná há mais afago. O poeta, em estado de ira, aconselha ''apedreja essa vil mão que te afaga// e escarra nessa boca que te beija!'' Fecho de verso era a catarse, eriçar de pelos.

Urucubaca
Azarão para valer é o surto de aftosa que pode reduzir em 60% as nossas vendas de carne para o exterior. Entre as especulações há uma daquele foco de contaminação a indicar outra causa: abate de gado paraguaio, sem certificado de sanidade, num frigorífico das proximidades.

Estado autor
Ontem, no TRE, um debate em torno de um tema curioso: pode o Estado, pessoa jurídica de Direito Público, contestar um anúncio de campanha eleitoral como o feito pelo PFL sobre os portos? Uns entendem que não há legitimidade de parte e um grupo menor entende que há essa viabilidade. O pior é que inexiste sinal de jurisprudência sobre a matéria.

Folclore
Em política é muito comum ''sacadas'' como a de Hugo Borghi, em São Paulo, que atribuiu ao brigadeiro Eduardo Gomes a frase de que não iria atrás dos votos dos ''marmiteiros''. Bastou isso para que o PTB fizesse distintivos com o símbolo da marmita. Certa ocasião os estudantes, e eu estava no meio da patuléia irada, cercaram o Palácio São Francisco e o chefe da Casa Civil, o filósofo Milton Carneiro, mestre de Parasitologia na Universidade Federal, sugeriu ao governador Munhoz da Rocha que recebesse os insurretos. Bento teria se recusado por horror à demagogia e ao cortejamento. Bastou isso para que inventassem que ele havia dado uma ''banana'', aquele gesto do braço cruzado, para a massa estudantil. E a coisa, mentirosa, pegou.

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