LUIZ GERALDO MAZZA
Mais tensão
O Porto de Paranaguá teve, na semana passada, mais um desdobramento das consequências do que exportadores chamam de ''gestão temerária'' na interrupção das atividades da multinacional ADM. Essa esmagadora de soja, de porte como as mais fortes que atuam no terminal, operava com a área antes cedida ao Paraguai como porto livre.
Embora não esclarecidos os motivos da suspensão de atividades, ainda que apontada como ''temporária'', uma das razões estaria no fato de que aquele país vizinho tem na soja transgênica a parte maior da sua produção e diante das resistências estaria se inviabilizando.
É mais um tempero para a audiência pública do Senado, dia 19, e que visa fazer uma radiografia ampla de tudo o que se dá nos terminais do Paraná.
A hidra
Na capa do último número da revista ''Idéias'', agora quinzenal, uma caricatura, bem sacada, da hidra de Lerna (não confundir com Lerner) com suas sete cabeças para mostrar a promiscuidade de intentos que forma o PMDB: só uma delas é inadequada, pois o vice-presidente José de Alencar acabou não ingressando no partido e a integra. Lá estão ele, o vice, Garotinho, Requião, Delfim Neto, Michel Temer, Quércia e Sarney. A impressão que dá é que se essa fosse a hidra dos trabalhos de Hércules, o herói perderia. Ou também, na melhor das hipóteses, ingressaria no ex-velho de guerra com a compulsão desses prefeitos em estado famélico.
Obstrução
Uma das técnicas da base aliada de Lula para neutralizar as CPIs já está mais ou menos definida: a obstrução, como se viu na semana passada. Enquanto isso há outros fatos que operam como diversionistas: o processo contra Maluf e agora essa inutilidade do ''referendo'' sobre armas, sem falar na hipótese de ''congelamento'' do campeonato nacional no chuncho das arbitragens, esta sim uma questão mobilizante e capaz de atingir fundo a alma brasileira.
Mãos vazias
No ''Mãos Limpas'' de ontem a prefeitada que atendeu ao convite de Requião, retorna aos seus pagos de mãos vazias e ainda teve que ouvir uma advertência: não me vão gastar dinheiro no ''Metrô'', boate famosa da praça. Valeu por uma coisa: a maior parte dos prefeitos se sentiu compensada, já que na sua esfera atua bem mais, proporcionalmente, apesar da falta de recursos, do que o governo estadual em termos práticos, não virtuais.
Folclore
O ex-vereador Haziel Pereira quase se transforma em mestre de cerimônias de uma sessão política de adesão ao PMDB. E entre as frases sarcásticas que usou, uma, por seu conteúdo antipetista e atribuída ao Barão de Itararé (Aparício Torelly), causou o maior sucesso: ''Se queres conhecer mesmo o Inácio, coloca-o no Palácio!''
Referendo
Em Guaratuba, pescando anchovas no mar aberto, Rubinho Ferreira deita falação sobre o referendo das armas, dizendo que o quadro fica bem definido quando se ouve a posição do Fernandinho Beira-Mar, obviamente favorável à proibição. O dirigente do MST, João Pedro Stedile, fez defesa apaixonada da tese.
Maniqueísmo
Há uma respeitável parcela do público que não concorda com o referendo e democraticamente deve ter o direito de expor a sua opinião. Para tanto o eleitor pode digitar um número que não seja o ''1'' e o ''2'', com o que anula o voto ou adotar o ''branco'' assim como faz em eleições. A ''Veja'' da semana tomou partido aberto pelo ''não'' o que seria aceitável não fosse a linha tão fundamentalista e sem qualquer abertura ao contraditório.





