LUIZ GERALDO MAZZA
Eufemismo militante
Uma das marcas de nossa época tem sido a de evitar o uso de expressões que contenham a admissibilidade do crime para transformá-lo em ''erro'', como se isso implicasse numa absolvição prévia pelo simples fato de não enunciar o que é maldito. Em antropologia cultural há um capítulo, ligado ao clã polinésico, que trata dessa resistência ao poder mágico das palavras. E isso está sendo um recurso muito usado pelos petistas apanhados com bufunfa na cueca e outras situações semelhantes. O que eles chamam de ''erro'' é crime e em determinadas circunstâncias até nefando.
Para neutralizar o ''tabu'', o interdito, o proibido, lançava-se mão de um recurso depurador, a ''nôa''. Algo assim como se faz popularmente quando não se enuncia a expressão ''demônio'' trocando-a por ''tinhoso'', o ''cão'', o ''torto'' e o ''coisa ruim''. Ou para evitar que a magia do nome de uma doença contamine o ambiente e as pessoas fala-se em ''moléstia incurável'' ou, ainda em bom barroco, ''insidiosa''.
Nesse cenário Caixa 2 é doação não contabilizada e crime grave apenas erro.
Mandrake
O nome da operação da Polícia Federal contra contabilistas foi ''Mandrake'' por causa das ''magias'' que aplicavam. Por mais artistas que fossem, jamais superariam as prestidigitações dos políticos. A Interbrazil é exemplo.
Fiep
Como é possível ter a gestão de Carvalhinho no sistema Fiep passado incólume pelos órgãos de controle durante tanto tempo? O fato é que o TC da União acabou pegando a organização (desvio de R$ 36,1 milhões) e seus auditores detectaram que também a direção atual, a de Rocha Loures, foi flagrada em práticas semelhantes, ainda que em pequena escala.
Entidades como Sesi-Senai e Senac-Sesc exigiriam vigilância bem maior. Aliás já se pensou até em extingui-las, mas a resistência, óbvia, é grande.
Mãos ao alto
O aumento da venda de armas é uma consequência perversa da pregação em cima do referendo. Nos últimos 30 dias a média de 40 armas passou a 200. Caso grave a examinar é o dos vigilantes, pois, segundo o Dieese, para cada vaga ocupada há quatro na espera. Detalhe: escolas autorizadas formam de mil a 1.500 vigilantes por mês. Por aí se vê a complexidade de um problema que jamais será resolvido pela convocação eleitoral até porque a crise social deixa entre desempregados pessoas habilitadas a lutas marciais e ao manuseio de armas de variado porte. Considere-se ainda que há extrema rotatividade nesse mercado. Outro detalhe: na segurança privada há mais gente armada do que nas forças regulares (Exército, Marinha, Aeronáutica, PMs) do país.
Itajaí
A União investe mais R$ 18 milhões no porto de Itajaí (SC), de um total de R$ 46 milhões programados. Agora é para construção de molhes e derrocagem de pedra. Vai ganhar ainda uma via expressa da BR-101 ao terminal. Enquanto isso os nossos portos, tão perturbados, ficam a ver navios. Espera-se que a audiência pública no Senado, dia 19, esclareça tudo de uma vez.
Folclore
Ney Braga estava como oficial do dia no quartel em que os jogadores Neno e Altevir, do Coritiba, serviam. Eles pediram dispensa, e como no domingo ia ter Atletiba (eles eram coxas), Ney, como atleticano, lembrou que não fossem aprontar contra o seu time. Coritiba 2 a 1, gols de Neno e Altevir.
Definição
A ''escolinha'' de depois de amanhã sem o seu personagem principal, o governador em viagem à França, é como o filme King Kong sem o gorila. O tema a ser debatido, o da safra 2005-2006, é relevante, ainda mais com estiagem.





