LUIZ GERALDO MAZZA
Tigrão e tchutchuca
Requião costumava referir-se aos irmãos Dias como ''tigrões'' no Paraná e ''tchutchucas'' em relação ao governo federal. Os dois quiseram se mostrar ''tigrões'' pedindo CPI contra FHC e tiveram que mudar de partido. Caíram na esparrela do adversário teimoso, cruel e talentoso.
Um observador da cena política diz que quando Requião se refere ao ''modelo econômico'' e a manutenção do superávit primário da União esquece que faz o mesmo aqui como se viu no detalhamento orçamentário pelo secretário Reinhold Stephanes, do Planejamento: gasta com juros, encargos e amortização da dívida R$ 1,87 bilhão e tem para investimentos R$ 1,2 bilhão. Neoliberalíssimo, ''tigrão'' na oratória do ''novo caminho'' e ''tchutchuca'' na execução orçamentária.
Fidel Castro, para provar que Requião e Palocci estão em boa companhia, fazia arengas contra a dívida externa, e instava outros a combatê-la como bandeira de luta, e a pagava com unção religiosa com a disciplina discreta de um escoteiro.
Defesa de Lula
No PT o material levantado sobre os investimentos da União no Paraná não é apenas uma resposta às críticas de Requião, mas ainda algo que se insere no processo da reeleição. O curioso é que Lula decidiu a eleição em favor de Requião e este se esmera em provocá-lo e em ''posar'' como seu anti-paradigma e agora não apenas em relação à política econômica.
Folclore
A campanha da Associação dos Magistrados para a depuração da linguagem jurídica, que trouxe a Curitiba o professor Pascoale Cipro, fez lembrar o anedotário da área: um homem humilde era testemunha no processo da Vara da Família e não entendia o que o juiz lhe perguntava.
O senhor, porventura, sabe por ter visto ou ouvir dizer algo que signifique menoscabo ou restrição ao comportamento idôneo da litigante?
A testemunha, perplexa, parecia estar diante de um ET. E tentando simplificar o juiz voltou à carga e o mistério persistia. Até que a testemunha falou.
Bem, não sei exatamente o que o senhor pergunta, mas se é para saber se ela era ou não ''dadeira'' tenho certeza que era. ''Dadeira'' pacas.
Pesca
Enquanto o Ibama não chega a um consenso sobre como normatizar a pesca nas barragens de hidrelétricas fica o drama das colônias de pescadores como as do lago de Itaipu. É verdade que compensam parte da frustração com a produção dos tanques-rede estimulada pela binacional. O ministro da área esteve, na semana, em Foz do Iguaçu, para tratar do tema.
Autofagia
O ambiente na Prefeitura de Curitiba está pesado e autofágico. A ausência de pulso firme do prefeito e de alguns secretários permite que se desenvolva um estágio permanente de conflito. Intrigantes se julgam de corpo fechado. Parece que estão mesmo.
Estoque
Mão-de-obra também tem estoque, mas os governos, como os de Lerner e Requião, pareciam ignorá-lo. Botavam nas estatísticas as contratações e esqueciam, por motivos óbvios, as rescisões. Resultado: uma previsão preliminar do Dieese sobre 2005 aponta que haverá um saldo de apenas 90 mil novos postos no Paraná, menos de um terço do que dá a entender a versão chapa branca. Em 2004, graças à exportação, o Paraná criou 122.648 novas vagas de saldo.
Recuo
De Richa até Requião, no PMDB, houve recuo: aquele criou o 13º e a paridade entre aposentados e pessoal da ativa; a primeira sob ameaça, a outra anulada.





