LUIZ GERALDO MAZZA
Caiu a ficha
Como a audiência pública no Senado, dia 5 de outubro, não terá a mínima semelhança com o cenário da ''escolinha'', acendeu o sinal vermelho no Palácio Iguaçu, desafio bem maior do que as dissimulações e sofismas habituais como os do pedágio e dos produtos transgênicos. É a queda da ficha e a busca rápida de soluções para sugerir que o Porto funciona e se equipa.
Buscar-se-á, numa rapidez desaconselhada em questões técnicas, dependentes de licenças especiais e até de RIMA, Relatório do Impacto no Meio Ambiente, sugerir que estariam em andamento licitações para obras prometidas desde o início de 2003 como o Terminal sucroalcooleiro, Núcleo Alfandegário, Terminal Público de Contêineres, o ISPS-Code. Mesmo o que foi feito como a pavimentação é discutível pelo desvio notório dos recursos aplicados que conforme a regra deveriam ser usados na dragagem do Canal da Galheta e dos vários berços de atracação.
Quanto ao Cais Oeste, o empresário Cecílio do Rego Almeida, apesar de haver declarado que anda de coração mole por estar mais perto de Jesus, teria pedido, mal iniciada a obra, um reajuste de 87%, fato revelado numa das últimas sessões do ''Mãos Limpas''. E no caso dos ''Bolsos Vazios''.
Triunfalismo
O governo Requião é igual ao de Lerner no faturamento estatístico: esse dizia ter criado 900 mil empregos e o atual (que não tem um só acontecimento de relevo, fora estímulos fiscais) perto de 700 mil. Empate em ''matemágica''. Quando a virtude é escassa, apela-se para o virtual, mais barato e convincente.
Licitação suspensa
A Justiça concedeu efeito suspensivo, em Curitiba, no processo que visava a abertura de concorrência pública para o sistema de transporte coletivo que é explorado há meio século pelo mesmo ''pool'' de empresas. Políticos sempre fizeram da ''demonização'' do sistema uma plataforma e entre os que ficavam de fora muitos eram beneficiados pelo ''mensalão'' do cartel.
Se a municipalidade mostra dificuldades para fazer algo mais singelo com o sistema de cessão de veículos à prefeitura, tanto que a mesma beneficiária aí permanece pelas nulidades sucessivas das licitações, dá para entender o quanto se baterá para atingir uma questão mais complexa como essa.
Bigorrilha
Arnaldo Jabor deitou e rolou falando sobre canalhas da fauna política e os chamou de ''bigorrilha'' que numa das acepções é ''sujeito fraco metido a valentão'' como tantos do pedaço e alguns até muito próximos.
Folclore
Quando o Presidente Afonso Pena inaugurou o trecho Jaguariaíva-Itararé da ferrovia São Paulo-Rio Grande (concessão dos últimos dias do Império e na qual a concessionária gozava de garantias de juros de 30 contos ouro por quilômetro de via construída, o que justificava os meandros e zigue-zagues) um caboclo da região, a cavalo, cumprimentou o Chefe da Nação várias vezes, enquanto o trem percorria a nova linha e ele, bem montado, buscava os atalhos, encurtando o caminho. Chegava, pois, muito antes à estação seguinte, esperava o trem e repetia o rito de cumprimento ao Presidente. Essa passagem saborosa é referida por Munhoz da Rocha no prefácio da ''História do Paraná'', da Grafipar.
Brindes
Um dos brindes de luxo do Natal será a coleção de seis números da revista ETC da Travessa dos Editores. É a melhor publicação, especialmente em termos gráficos, do gênero da América do Sul. O que faz de Curitiba e do Paraná um pólo cultural com o jornal ''Rascunho'' e a revista ''Coiote'' de Londrina.





