Reprise entediante

Ontem pela manhã, sete praças de pedágio foram invadidas pelo MST, hoje caracterizado pelas ações semelhantes anteriores como linha auxiliar do governo estadual, a pretexto de facilitar uma imaginária vitória sobre as consorciadas do pedágio. Por sinal que, reunidas em congresso no Rio, as empreiteiras destacaram que somente no Paraná a sua ação é tratada na base do conflito que não se esgota.
Já na primeira vez, a violência da invasão de caminhoneiros e sem-terra a pretexto de respaldar lei estadual que admitia a encampação das empreiteiras (inócua, como se viu, depois de decisão judicial) fez parte do cenário de terror e selvageria, afinal frustrados com a óbvia manifestação da Justiça e do setor que não se curva à intimidação. O governo anunciou para o encontro de hoje, na ''escolinha'', a medida que pretende adotar (e que possivelmente seria a derradeira e final por seu impacto) centrada na observância de balanços das pedagiadas e que revelariam, de longe, a superação do chamado ''equilíbrio financeiro'' em suas operações. É sabido que as concessionárias têm outras atividades, além da exploração do pedágio, e que se incluem em seus balanços, o que dificultaria pericialmente a constatação.
O governo em momento algum se preparou para encarar seriamente o problema do pedágio em seus aspectos político e jurídico. Várias vezes anunciou ''bombas'' fulminantes contra as concessionárias e perdeu todas na hora em que o Judiciário, por suas instâncias superiores, se manifestou. De ''bombas'' se transformaram em traques baianos.
Tarifas, deve-se esclarecer, são fixadas pelo poder concedente, o Estado, em função dos termos contratuais. E o governo não se interessou em montar a Agência Reguladora porque esta precisaria de alguma independência.

Contra Lula
O MST alega que a ocupação das praças de pedágio é contra o governo Lula e não só no apoio que concede aos contratos de FHC como a sua política econômica e o andamento lento da reforma agrária.

Analogia
De São Paulo (via Jundiaí) a Campinas, extensão de 92 km, paga-se em duas praças tarifas de R$ 5,10 em cada uma. Mais, portanto, do que na Ecovia, sentido litorâneo, apesar de esta ser considerada uma das mais escorchantes.

Antaq ataca
O quinto relatório da Antaq, Agência de Transportes Aquaviários, ferra a gestão dos portos paranaenses. Diz, por exemplo, que a APPA, ao atuar como operadora portuária, é contra delegação recebida e orientação ministerial. Frisa que das 26 instalações submetidas ao enquadramento do ISPS-Code, norma de segurança internacional, apenas 16 de origem privada se adequaram. Condena o uso de dinheiro, obtido de fundos específicos destinados à reinversão na infra-estrutura portuária para obras de pavimentação e acentua os descuidos com dragagem e batimetria.

Caça-níqueis
No ''Mãos Limpas'' Requião, ontem, dedicou bastante tempo a combater a praga dos caça-níqueis, irritado com a tolerância das autoridades e prometeu ação, dele (que já foi o xerife acumulando o posto de governador) em conjunto com a Casa Militar. ''Em cada cidade que eu visitar e que houver caça-níqueis ponho na rua o comandante do batalhão militar e o delegado de polícia''. No passado se dizia: ''Requião Fala, Faz e Sustenta''. Inaplicável nos dias atuais.

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