LUIZ GERALDO MAZZA
Outubro, 5
É verdade que as atenções estão voltadas para as CPIs passando pela eleição também do presidente da Câmara Federal, mas isso não reduz o significado da audiência pública do próximo dia 5 de outubro no Senado Federal, em torno do decreto legislativo que pode determinar a intervenção nos portos do Paraná em função da gestão temerária que os caracteriza. Essa perspectiva negativa foi ratificada ainda na quinta-feira desta semana pelo quinto relatório da Antaq, Agência de Transportes Aquaviários, carregado de críticas.
A tentativa do governo de despistar o tema por uma via ''ideológica'' com insinuações de que se pretende tirar o porto do Paraná ou privatizá-lo, o que é de um ridículo extremo, pois ele está submetido a regramentos nacionais, não funcionará naquela instância, que apreciará o problema por uma via técnica e administrativa e não política. Os prejuízos que a gestão temerária causam à economia do Paraná (R$ 1 bilhão e meio só numa safra diante do descompasso no valor da soja) vão além e estão presentes no cenário adverso das demissões de centenas de trabalhadores em Paranaguá por causa de normas de desembarque, como ficou anotado na última reunião do Conselho da Autoridade Portuária.
Ironia
O PT, ao lado do PMDB, brigou intensamente para manter vivo o caso do caixa 2 de Cassio Taniguchi. E sempre estimulou o Ministério Público a lutar contra o ''foro privilegiado'' que no momento beneficia o prefeito Nedson Micheleti, de Londrina. Cassio, ao final, foi absolvido, embora estejam tentando agora o reavivamento do caso, mas ficou sem condições, pelo desgaste, de disputar a sucessão de Lerner, na qual era o mais qualificado postulante.
Conflito
Como se esperava, o Tribunal Regional Federal de Porto Alegre decidiu anteontem que não há o menor sentido em atribuir à Justiça estadual competência para julgar questões relativas ao pedágio. A beneficiada é a Rodonorte que teve tarifas reduzidas por interpretação equivocada e festejada, como sempre, antes do tempo. Tanto neste caso como no da Rodovia das Cataratas, o diretor do DER poderá responder patronialmente pelas perdas que naquele primeiro caso não foram poucas e que se aproximam de um milhão de reais.
Também no caso da Caminhos do Paraná o governo estadual fogueteou uma decisão de um magistrado da Lapa que baixava as tarifas, o que foi derrubado, logo em seguida, por entendimento da alçada superior.
Sacrifício
O PT está convencido de que não pode cometer o erro da eleição da Mesa da Câmara Baixa que entronizou o Severino Cavalcanti e se dispõe até a abrir mão do posto que por praxe lhe deveria pertencer. Até aqui tudo se dá em termos bíblicos: muitos encorajados, mas apenas um pode ser escolhido.
Vitalidade
Lula deu mostras de vitalidade política no sentido de sustentar a austeridade ao vetar 23 dispositivos, previamente negociados no parlamento, da Lei de Diretrizes Orçamentárias. Revela não estar fragilizado e dentre os vetos há aqueles que contemplam compensação a estados produtores, como o Paraná, pelos efeitos da Lei Kandir desonerando do ICMS os nossos produtos.
Folclore
Essa se deu comigo em 1953, ano do Centenário do Paraná. O Chefe da Casa Civil, Milton Carneiro, me chama ao andar superior do Palácio São Francisco. Getúlio Vargas passara a noite na sede do governo e, no alto da escada, estava o Anjo Negro da Guarda Pessoal, o Gregório Fortunato. Simplesmente me deu um empurrão e se não sou um artista rolo pela escadaria abaixo. À distância, isso parece engraçado, embora não seja.





