LUIZ GERALDO MAZZA
Fronteiras do agir
As eleições da APP-Sindicato, diante do aguerrimento da disputa, buscaram ''internalizar'' para o maior sindicato de trabalhadores do Paraná as disputas do PT entre suas várias tendências. Embora isso seja normal é de perguntar-se se o corpo eleitoral leva em conta o divisor de águas proposto entre o chamado ''Campo Majoritário'' e uma das tendências, tidas e havidas (o que é preciso ver em profundidade) como de esquerda. Obviamente não leva, pois se assim o fosse o PC do B seria o maior partido da juventude brasileira pela condição de manter a hegemonia no comando da UNE, hoje uma pálida expressão do que foi. E esse caso dos estudantes tem clareza suficiente para mostrar que esse poder de uma griffe é mera e insensata alegoria.
O fato de o ganhador do pleito não figurar entre os componentes do ''campo majoritário'' e mostrar-se mais ligado à linha do ''Doutor Rosinha'' pouco significa se levarmos em conta que a maior parte desse engajadíssimo colégio eleitoral, de mais de 55 mil militantes, acaba não votando nesses referenciais, da mesma forma que a esmagadora maioria dos universitários não está nem aí para o PC do B e nele obviamente não votam.
Talvez seja o caso de lembrar da pergunta do ditador sobre quantas divisões teria o Papa em meio à histeria da II Guerra Mundial. Único partido social democrata com quadros operários, ainda que com o vício irremediável de tê-los em maioria nas empresas e categorias do serviço público, o PT e o seu braço sindical, a CUT, que embora se declarando ''única'' divide a área com outras centrais, acreditam na simetria de intenções quanto à ocupação de espaços do poder e no momento amargam a frustração de sua utopia mais imediata detonada pela gosma da corrupção. A sedução do poder é, às vezes, mais forte do que a mais abrasiva das utopias.
Carona
O professor José Carlos Belotto, da UFPR, desenvolve o projeto ''ciclovida'' que visa estimular o transporte solidário, carona, entre universitários. Nas pesquisas ficou demonstrado que 70% dos carros que se dirigem para aquelas unidades de ensino só têm o condutor no veículo. Objetivo é acalmar o tráfego, reduzir a poluição e estimular meios alternativos como o de andar a pé ou de bicicleta. Na massa em geral essa relação é superior a 90%, daí porque em casos extremos se adota, como em Londres, o pedágio urbano no centro.
Está aí algo que poderia ser assumido por outras instituições na Capital. E bem melhor se a prefeitura não meter sua colher torta no assunto. Que acaba burocratizando e engessando o processo.
Catilinária
Anteontem o Conselho da Autoridade Portuária (normalmente não ouvido pela direção do Porto, embora sua autoridade maior como representante da comunidade interessada) recebeu o quinto relatório da Antaq, Agência de Transportes Aquaviários, com novas e pesadas críticas à gestão temerária dos terminais. Inclusive ficou demonstrado que uma das causas do desemprego (150 só na semana passada) é a má programação dos desembarques, beneficiando os fertilizantes em relação a outras cargas.
Folclore
O aluno traduzia, na base da intuição, do latim para o português as façanhas de César na Gália (''De Bello Galico'') e de repente empacou num complemento circunstancial de lugar ''in aperto loco'', isso é num lugar aberto. Tradução chutada: ''num aperto louco''. O professor fez ironia e elogiou o aluno pela ''inspiração'', já que estar em lugar aberto, visível à tropa inimiga na encosta da montanha, não deixava de ser um ''aperto louco''. Mas deu zero. Isso é de uma época (anos 40) em que o professor não era cúmplice do aluno.





