LUIZ GERALDO MAZZA
A Copel na CPI
O Paraná vai aparecer nas CPIs como investigado: o deputado federal Gustavo Fruet se empenha em levar a operação de seguros da Interbrazil com a Copel e avalia a possibilidade também de incluir o problema do caixa 2 de Londrina, aquele potencializado pela Soraya.
A capilaridade do sistema de ocupação do poder pelo PT é de tal ordem que não despreza sequer as ONGs, como se viu nesse espetáculo do Consórcio Nacional da Juventude, seriamente enfocado pelo Tribunal de Contas da União e alvo futuro de medidas de busca e apreensão de equipamentos e documentos. Com as antenas ligadas, os parlamentares ficam atentos a cada nova denúncia. E uma das coisas seguidamente comentada em Brasília é a possibilidade de as investigações chegarem com toda a força nos estados e municípios.
Nossa maior estatal corre o risco de outras devassas se o foco se desviar para a forma como fundos de pensão acabaram ''enrolados'' no Banco Santos, cuja falência acaba de ser decretada. Explicações sobre investimentos tão temerários precisam ser detalhadas até porque o fundo de pensão da Copel foi alvo de investigação pela Kroll.
Professores
Como já fizera e sem sucesso na eleição da associação e sindicato dos delegados de polícia, e gloriosamente ''quebrado a cara'', o governo entrou de sola no pleito da APP-Sindicato, a maior categoria de todo o Paraná. É acusado pela diretoria atual de abuso de poder com o emprego de instalações e também de equipamentos da Secretaria da Educação, inclusive de matéria com destaque no jornal daquela pasta e que circula em todas as unidades de ensino. O presidente José Rodrigues Lemos, inclusive, denunciou tais fatos ao Ministério Público. Esse tom de conflito marcou todo andamento das eleições.
O oficialismo se irrita com a atual diretoria porque teria feito concessões na questão do aumento e do plano de classificação sem a reciprocidade.
Quando a força de cooptação do Palácio Iguaçu é de tal ordem que envolve um órgão de controle do exercício profissional como o Crea, cujo dirigente ocupa posto na Copel e leva o ex-presidente do Sinclapol, Sindicato das Classes Policiais, Luis Bordenowski, ao posto de Ouvidor da pasta de Segurança, é de lembrar-se que isso equivale à supressão, um dos temores de Norberto Bobbio na contaminação da democracia, dos chamados ''entes intermediários'' entre Estado e Cidadania, indispensáveis à tão proclamada e pouco praticada democracia participativa.
Em nosso lombo
Essa pendência entre o governo e as concessionárias de rodovias vai acabar ''estourando'' no lombo do usuário. Requião simplesmente ''politizou'' a questão sem considerar a perspectiva de derrota (certa, implacável) na Justiça em função das amarras contratuais. Recusa-se a negociar e a cada momento saca uma ''idéia'' como a da intervenção do Nurce (Núcleo de Repressão a Crimes Econômicos). E quando negocia, como fez com a ''Caminhos do Paraná'' não cumpre o que havia se comprometido como a Justiça decidiu. Ironia: quem está cedendo material para tapar buracos na BR-476 é a ''Caminhos''.
Como o poder concedente, o Estado, se recusa a aceitar até propostas de baixa de tarifas, negando-se a assinar ''termos aditivos'' contratuais, dá para ver o tamanho do ''rolo'' que começou com aquela irresponsabilidade de Lerner ao reduzir linearmente em 50% as tarifas o que deu margem à cobrança de degraus. Some-se isso a todos os incidentes e ter-se-á o tamanho da fatura que o povo vai pagar.





