Ibope calça-curta
Segundo especialistas, o Ibope de uma emissora de televisão, que apontou o senador Alvaro Dias à frente de Requião e do irmão Osmar para o governo, é de escassa representatividade não apenas em função da reduzida amostragem (800 consultas) como pelo fato de ser obtido na base do contacto telefônico. Trata-se de um Ibope calça-curta, embora possa ter lá os seus significados.
A diferença entre Alvaro e Requião é pequena, um empate técnico, tanto no primeiro como no segundo turno. Aliás há uma característica no senador: a de sair sempre na frente das simulações e com larga vantagem para depois perder. Assim foi contra Lerner e também no caso de Requião e perdeu as duas na primeira com liquidação da fatura no primeiro turno.
Os mais rigorosos o chamam de ''looser'', o perdedor no jargão dos batoteiros nos cassinos. No momento, além de tudo, é beneficiário das suas participações, inteligentes e com agudo senso profissional, nas CPIs o que lhe concede as vantagens de ''handicap'' bem superiores às que eventualmente derivassem de inserções de caráter eleitoral. Tudo muito precário para justificar euforia e pulsões triunfalistas. Ou produzir depressão, como se dá normalmente com a fauna dos áulicos, no Palácio Iguaçu.

Lula cai
A pesquisa CNI-Ibope mostrou que em menos de três meses o presidente Lula sofreu uma queda de 12 pontos: os que confiavam nele eram 56% e agora são 44%, o que dá bem a medida de como se esgarça o seu prestígio ante as revelações devastadoras das CPIs. Os que não confiavam eram 38% e subiram para 51%.
Os antígenos estão sendo devastados e se tudo persistir nesse ritmo será muito difícil haver capital eleitoral para tentar a reeleição. Como se ainda não bastasse tudo isso ainda deveremos contabilizar as consequências do racha no partido na consumação do segundo turno da eleição interna.
Um dos fatores que beneficia Lula é a ''blindagem'' que a oposição faz de sua pessoa, evitando envolvê-lo diretamente nas ocorrências até para mostrar, de forma bem maliciosa, o apoio ao modelo econômico e também para ''sangrá-lo''.
Dá para perceber por aí o quanto o senador paranaense, Alvaro Dias, acaba se beneficiando com esses fatores de caráter circunstancial.

Locação
Desde o fim do ano passado estava programada a locação de veículos para o transporte oficial em Curitiba. A licitação, fulminada por várias impugnações e reviravoltas, demorou e em consequência quem se beneficiou foi a Constran que mantém, há muitos anos, o contrato. ''Bandeiras'' dadas até por Beto Richa de amizade com o empresário já foram levantadas em impugnações. Todos precisam se convencer que o ''Big Brother'' não está apenas em Brasília.

Grito da terra
Algumas entrevistas com trabalhadores rurais no ''Grito da Terra'' revelaram o óbvio: a ausência de uma política de paternidade responsável é um fator de agravamento da crise da propriedade familiar. Um produtor com sete filhos é a maior das provas desse absurdo. Vários deles desfilaram nas entrevistas. Não há módulo fundiário que se ajuste a esse fenômeno. Infelizmente olhamos isso por uma perspectiva melodramática e piegas (e disso nem as esquerdas se safam) como se esses dois ''valores'' legitimassem a opção como racional.

Desemprego
Uma portaria de número 0/36 para atracação no Porto seria a causa de desemprego em massa em Paranaguá. Só na semana passada 150 foram pra rua.

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